quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Pica-grossa assumido

          Outro dia, não faz muito tempo, encontrei meu mui querido e estimado amigo Paulo Dourado. Foi numa feijoada da Unimed, a propósito das eleições. Não sei se sabem, mas tenho por ele um carinho especial. Ele é um homem afetuoso, manso, humilde e culto. Afora toda essa lista elogiosa e suspeita, o amigo é médico de branco, no dizer de Pedro Nava; de uma brancura rara nos tempos atuais. 
          O Paulinho é cirurgião geral e trabalha com meu outro mui caro amigo Fernando Siqueira, cirurgião de mão cheia, e escritor de mão mais cheia ainda. (Este Siqueira era dos que tomavam comigo e uma penca de outros estudantes maristas o ônibus da antiga linha Quitandinha de volta aos nossos lares terminadas as aulas, lá pelos idos anos '70. O assunto dá trela para maiores considerações noutra oportunidade.) Ambos foram dos pioneiros a fazer avançar, no Ceará, a operação anti-refluxo por via laparoscópica e, algum tempo depois, a operação bariátrica para a obesidade mórbida, seguindo os passos, nesta última, do também estimado doutor Luís Moura. A dupla já reuniu elevada casuística nessas operações e o Paulinho já esteve, se não me engano, mais de uma vez na Europa a apresentar sua experiência com a técnica das operações e os bons resultados obtidos por eles. 
          Ocorre que, como diz o meu querido Siqueira, eu sou um sacana. Ao que me parece, no melhor dos sentidos. E por que diz isso o amigo de desde o tempo em que usávamos cueiros? Ora, o caso é de uma simplicidade como qualquer das quatro operações matemáticas. Vamos a ele.
          Não pude deixar de me encher de vaidade e orgulho por ter como amigos dois expoentes da medicina do estado que já começavam a ganhar o mundo. Vamos e venhamos: - não é todo mundo que tem amigos famosos. Até bem pouco tempo o amigo mais famoso que eu tinha era o Casoba, vastamente conhecido até o dia em que resolveu dar sumiço em si mesmo, dar cabo da própria fama, desaparecer da vida como se já defunto fosse. Era tão famoso o Casoba e tão unha e carne comigo que eu não podia adentrar uma sala, uma bodega, uma oficina mecânica, um bar, um hospital sem que me perguntassem do homem. Os mais abusados diziam: -"Cadê o guarda-costas?" E outros: -"Como vai 'a sombra'?" Sim, era famosíssimo o Casoba, mas apenas por essas paragens; não na Suécia ou em França. Nem em Sobral, donde é filho o sumido amigo, se ouve mais falar dele. Assim, com o sumiço de meu mais famoso amigo corria eu o risco de perder o elo com o mundo da fama e da glória. Foi justamente nesse interlúdio que me chegam ao auge os amigos Paulinho e Siqueira. Já bateram, inclusive, o ex-famoso Casoba. Mas vejam que tanto falo e não falo do Paulinho.
          Nosso encontro foi repleto de calorosos e apertados abraços, como sói acontecer entre os que verdadeiramente se gostam. Ali mesmo, em meio àquela multidão, perguntei em alta voz se havia ali alguém que não conhecesse aquele "pica-grossa". 
          Ninguém pense que vai aí um termo chulo na caracterização do amigo. Para os que não sabem, "pica-grossa" é o sujeito que logra o posto da autoridade, do reconhecimento por feitos inéditos, da iconicidade em sua área de atuação. Destarte, desde que a dupla de amigos alcançou o disse-me-disse do glamour científico sempre os trato exatamente como exige seu posto: -"Como é que vai esse cirurgião 'pica-grossa'?" 
          E onde quer que seja, ao encontrar um ou outro, já vou cumprimentando: -"Bom dia, 'pica-grossa'!" Eles, por sua vez, viam nesse meu fanatismo incontido uma gozação, uma mordacidade, uma pilhéria de minha parte, e riam-se a não mais poder. Só levaram a sério a minha admiração e tributo quando pus em suas mãos minha mãe para se submeter a uma operação. Entrei na sala e, para não perder a viagem, bradei: -"Como vão os meus amigos 'picas-grossas'?" Desnecessário salientar que a operação foi um sucesso. 
          Dias depois reencontro o Paulinho à entrada do hospital. Puxa-me pelo braço a um canto e me diz com um sorriso aberto nas faces coradas: -"Lembrei-me de ti ontem, no consultório!" Quis saber: -"Por quê, 'pica-grossa'?" E passou a relatar o caso de uma senhora que ele operara. Era um enorme tumor de fígado nesta senhora, que viera do Norte procurar o famoso amigo. A fama faz dessas coisas milagrosas: põe face a face a oportunidade e o preparo. E dizia-me ele que era um tumor verdadeiramente gigante.
          Para os leigos devo esclarecer: - o fígado é um órgão difícil de se abordar cirurgicamente e, por isso, requer por parte do cirurgião que opera conhecimento anatômico detalhado, tirocínio cirúrgico, audácia consciente, habilidade, técnica cirúrgica apurada e experiência. Em suma: o cirurgião tem que ser bom! 
          Pois o Paulinho me dizia que arrancou o bicho inteirinho deixando à paciente uma nesga de tecido hepático que será o suficiente a que ela viva uma vida normal e confortável. Em outras palavras, curou a paciente. 
          Eu quis saber: -"E onde entro nessa história aí, Paulinho?" O sorriso se abriu ainda mais; ia de orelha a orelha: -"A paciente foi tão bem ao consultório que olhando para ela eu pensava: 'sou um cirurgião pica-grossa mesmo!" Gargalhei tão alto que os transeuntes se viravam a olhar pra mim.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Casa dos horrores

          Poderia ter preenchido três ao invés de dois atestados de óbito. O terceiro foi feito pelo colega do CTI, já que o paciente lá estava.
          O primeiro morreu no fim da tarde, sem ambas as pernas. Eu estava no bloco cirúrgico quando me chamaram às pressas, alguém dizendo que um dos doentes passava mal. Quando cheguei à enfermaria ele já estava morto. Ensaiei uma massagem cardíaca como se tivesse a obrigação daquela manobra nestas situações, mas sabia que ele já se fora e nada poderia trazê-lo de volta. Ademais, o que ele faria sem as pernas? Era muito pobre, socialmente ele não existia havia tempo, coitado. Pude perceber a dureza e inelasticidade de seu tórax; com certeza lhe quebraria algumas costelas se insistisse em massagear.  Também não pude deixar de notar que seria preciso deitá-lo ao chão caso houvesse uma chance de reanimá-lo, pois seu leito era fofo e não havia uma tábua que pudéssemos usar para apoiar durante a massagem. Suas feridas cirúrgicas estavam semi-abertas e a pele em torno anunciava a gangrena. O pus escorria malcheiroso. A cena era patética. Foi inevitável lembrar que ele chegara andando, ainda que ciente da ameaça de perder uma das pernas. Pois bem: a doença comeu a perna doente e o doutor comeu a sadia. Em consequência, a morte. E lá foi-se seu Hermes de Oliveira.
          O segundo morreu à madrugada, eram duas e meia. Acordei sobressaltado, a menina me chamando na enfermaria para fazer o atestado de óbito. Ela internara dias antes e também tinha a perna ameaçada pela gangrena. O pior é que seu coração era fraquinho e não suportou as duas operações. Poderia ter sido só uma, mas o doutor resolveu que seriam duas, para aumentar o risco. Tivera uma apoplexia após a segunda  operação. O fato é que aumentaram-lhe as chances de ter complicações e aí está a lei de Murphy que não me deixa mentir. Tudo poderia ter dado certo mas não se providenciaram os preparativos e as assistências necessários. Com efeito, e para falar a verdade, o hospital não é um hospital. São vários hospitais funcionando em único edifício. Tem gente de todas as especialidades médicas, mas ninguém se mete com ninguém. Em outras palavras, dissecaram a medicina que, no caso, chama-se "merdicina". O doente da cirurgia vascular, que também é doente do coração, e do pulmão, e dos rins, e dos olhos, e do cérebro, vai ter seus vasos desentupidos a qualquer custo, não importa que morra por outros motivos. Afinal, o doutor todo-poderoso cirurgião vascular tem que chegar à beira do heroísmo. Os outros, que não cuidaram devidamente do paciente, que assumam a sua responsabilidade. Isso sem falar no grande e verdadeiro responsável: o doente. Sim, o doente carrega duas culpas: a primeira por ter caído doente; a segunda por ter nascido no país de faz-de-conta-que-se-faz-medicina. E lá se foi dona Manoela Damaso.
           O terceiro morreu e só fiquei sabendo pela manhã. Foi o doente operado no dia anterior. Ou seja, não durou nem doze horas após acabada a operação. Acho até que durou muito. Pensei que fosse morrer na mesa, tamanha a agressão do ato. Sangrou todo o seu sangue e mais o transfundido. Perguntava-me como pode um paciente sangrar na mesa daquela maneira e quase nada ser feito pela equipe para evitá-lo. O pior é que o operador cantarolava uma música idiota enquanto dilacerava-lhe a aorta. Alguém, lembro-me, chamou a atenção para a situação crítica, mas de nada adiantou. Preferiu-se "dar sopa" pro azar. Claro é que isso é conversa fiada. Azar é se atravessar a Presidente Vargas segunda-feira às cinco da tarde, sem olhar para o lado, e ser atropelado por uma vaca. E que tal lembrar-se do adágio cirúrgico "first, do no harm"? E lá foi-se seu fulano de tal, pois nem cheguei a conhecê-lo, já que foi uma operação de urgência. Durante a operação se confirmou o que já se sabia com certeza – não havia urgência alguma. Se houvesse ele teria sido operado há quatro dias quando lhe foi constatada a suposta urgência. 
          Que será que diria o Richard Gordon ao saber de tudo isso? Presumo que iria querer incluir na próxima edição de seu "Os grandes desastres da medicina", cedendo-me parte dos direitos autorais. E eu bem que aceitaria. A diferença é que as vítimas, nas minhas histórias, eram eminências pardas.

Rio, 26.11.1998

sábado, 25 de agosto de 2012

Ardiloso faz-de-conta


          Foi o Assis Chateubriand quem disse: " Se quiser ter opinião, compre um jornal".  Ele queria dizer, na verdade, que para influenciar a mente das pessoas o sujeito teria de necessariamente ser proprietário de um jornal. Para ele, opiniões restritas a círculos de amigos ou a pequenos grupos sociais nada significavam nem em nada interfeririam no modo de pensar das pessoas, ao passo que de posse de um veículo poderoso como a redação de um periódico o sujeito poderia fazer e acontecer.
          Nada mais belo que a livre imprensa, assim como nada mais belo que a livre empresa. Por que também não dizer "nada mais belo que o livre governo!" ou "nada mais belo que a independência, a liberdade mútua, dos poderes da república!"? Se todos são livres, quem os controla? Resposta: eles controlam-se entre si; fiscalizam-se entre si. Caberia, a essas alturas do argumento, a seguinte questão: o que se poderia fazer para liberar cada um desses elementos do controle exercido pelo outro? Resposta: cada um se calaria ante o que faz o outro. Em outras palavras, cada um se venderia ao outro. Instalar-se-ia, então, a sociedade do faz-de-conta. 
          Não vejo porquê esses senhores defendem o controle externo da imprensa, por exemplo. É um temor desnecessário e infundado, o seu. Tudo está concatenado para se fazer muito barulho por nada. Já tudo está arranjado. Ninguém precisa se acabrunhar nem se preocupar. Todos estão a cuidar de todos. Por exemplo, os empresários se pelavam de medo das "esquerdas". E o que aconteceu foi que descobriram o inimaginável: - com as "esquerdas" no poder eles perceberam que poderiam ganhar ainda mais dinheiro. As "esquerdas", ao que tudo indica mais venais e corruptas do que seus arqui-rivais da "direita", promoveram um crescente no ciclo de negociatas do poder. 
          Que fizeram os empresários? Nada. Ou, melhor, participaram cada vez mais na política das "esquerdas", financiaram-nas cada vez mais, e receberam em troca mais e mais negócios rentáveis. Pouco importa a eles o que haja na educação, na saúde, na segurança pública. Eles continuarão vivendo em seu "país" particular, no Brasil paralelo que as "esquerdas" odeiam, mas que, ironicamente, através de suas próprias mãos ajudam a manter e até a medrar com mais pujança ainda. Continuam tendo suas escolas, hospitais e segurança particular. Dane-se o Brasil real! Não dão a mínima. 
          Paremos. A crônica está uma confusão só. Comecei falando no Chateubriand porque ia falar da imprensa. Alguém com o mínimo de bom senso que se dignar a ler o editorial da edição de hoje do jornal O Povo acabará por se indignar (http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2012/08/25/noticiasjornalopiniao,2906609/sistema-de-cotas-justica-social-e-reforco-a-democratizacao.shtml). Em suma, o editorialista defende, como muitos outros insensatos, o sistema de cotas para as universidades. Diz ele que "administrações passadas" foram as responsáveis pelo recrudescimento do fosso social brasileiro por terem sucateado a rede pública de ensino e dado ênfase ao ensino privado. E completa sua argumentação desculpando o governo: "Contudo, a reconstrução da rede pública, como um todo, exige dispêndios financeiros vultosos e um intervalo de tempo cuja duração desemboca em prejuízos irreparáveis a milhares de alunos que só podem contar com o ensino gratuito. Assim, até que as instituições públicas de ensino alcancem o nível de qualidade exigido vai se apelar para o recurso de cotas sociais", etc. etc. etc. 
          Atente-se que o sistema de cotas nada mais é do que pôr nos bancos das universidades federais pessoas sem mérito e que alunos melhores ficarão de fora. Esses serão obrigados a ir para as universidades e faculdades particulares. Quem vai ganhar muito dinheiro com isso? As instituições financeiras que vão financiar muitos desses jovens.
          Observe-se que o tempo e os custos para se recuperar a rede pública são as justificativas, segundo o editorialista, para se lançar mão desse sistema que assassina o mérito. Há urgência. Os prejuízos serão irreparáveis. Se o exame admissional e/ou curricular não mais será o critério utilizado para levar o estudante à universidade pública, que qualidade terá o estudante dessa? Conseguirá esse estudante acompanhar e concluir seu curso? E, em concluindo, que qualidade terá esse profissional? Estará ele apto a concorrer ao mercado de trabalho? Ele o absorverá? Enfim, o sistema de cotas fará a justiça que pretende? mitigará o "prejuízo irreparável"?
          O sistema educacional brasileiro, além de ruim, virou laboratório. O tempo evidenciará os resultados desse inusitado e aparentemente irresponsável experimento. Quanto tempo durará ele? até que o resultado dos vultosos recursos financeiros surta o efeito esperado? Há um projeto sério em andamento que vise recuperar de fato e sem enganação a escola pública brasileira? ou é tudo apenas mais um enorme e ardiloso faz-de-conta?

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O marido que (não) sabia demais

          Disse ontem a senhora Sally Thompson, uma das integrantes da comissão que analisa pedidos de liberdade condicional por parte de condenados nos Estados Unidos da América (http://diariodonordeste.globo.com/noticia.asp?codigo=344039&modulo=965):
           -"Apesar de seus esforços positivos durante o cumprimento da sentença, a libertação neste momento prejudicaria enormemente o respeito pela lei e caracterizaria como corriqueira a trágica perda de vida causada por seu crime hediondo, despropositado, violento, frio e calculado".


          Ela se referia ao pedido de liberdade condicional feito por Mark Chapman, assassino confesso de John Lennon. Foi seu sétimo pedido; todos indeferidos. Ele está preso desde 1981 e foi condenado a prisão perpétua com possibilidade bienal de liberdade condicional após 20 anos de pena. 
          Vejam o que pensa a sociedade estadunidense sobre a lei, pensamento materializado no discurso da senhora Thompson. Por "esforços positivos" entenda-se o criminoso estar se esforçando no cárcere para demonstrar que estaria apto a voltar ao convívio produtivo na sociedade. Estaria "recuperado" de seu ato tresloucado; estaria "reabilitado". Mas qual! Demonstrar que a punição é exemplar é o maior objeto da lei, a fim de que seja temida e assim respeitada, importa e interessa muitíssimo mais à sociedade e aos que trabalham duro e honestamente. O senhor Chapman não faz mais do que sua obrigação em bem se portar enquanto preso está. Tirou a vida de um ser humano. Deve pagar por isso.
          Bem se vê que das duas uma: ou nossos juristas são gênios com a chave da solução sobre como penalizar o criminoso, ou são uns imbecis cheios de teorias fantasiosas e repletas de beleza retórica, mas de nenhum resultado prático. Se as penitenciárias norte-americanas estão cheias é porque lá a lei pune e trancafia o bandido. Aqui estão cheias as celas das delegacias e penitenciárias por uma outra razão: o governo trata os detentos como alimária nojenta e os deixa apodrecer em espaços exíguos e desumanos. Por isso estão a serviço do governo uma penca de juristas a vender a idéia nefasta de que cadeia não resolve o crime. Não resolve mesmo. Mas é ela que livra a sociedade de bem da ameaça de bandidos e facínoras conhecidos e incriminados em inquéritos científicos e tecnicamente quase perfeitos. Afinal, não queremos gastar com penitenciárias e cadeias. Como abaixo da linha do Equador a vida não tem lá essa importância toda, o governo deixa os bandidos matarem e ele mesmo se encarrega de tratá-los como ratos. O falso discurso dos juristas é só uma outra manobra de nosso eterno faz-de-conta. 
          Pois o Supremo Tribunal Federal –não, não! em maiúsculas não! – o supremo tribunal federal mandou soltar o senhor Regivaldo Pereira Galvão, o "Taradão" – atentem para a alcunha do elemento –, um dos assassinos da missionária Dorothy Stang ocorrido em 2005 (http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1173301). Vê-se que as "instâncias" jurídicas brasileiras servem para absolutamente nada. Ou, melhor, servem a beneficiar os criminosos. O senhor Chapman matou em 8 de dezembro de 1980 e foi condenado em 1981. Está preso desde que foi capturado, antes de ser condenado.
          Mas deixemos nossas mazelas jurídicas e falemos de nossas mazelas políticas. Os leitores hão de estar acompanhando, embasbacados como eu, a história da mulher do vereador que estava inscrita no Bolsa Família. Com uma renda familiar de mais de 9 mil reais, ela se inscreveu como pobre para receber o benefício e fez 8 saques de – pasmem! – 32 reais. Lesou e enganou o povo brasileiro em 256 reais. O marido jura de pés juntos – de nada sabia. (Quem foi mesmo que teve a genial idéia de usar deste estratagema para livrar a pele? Desde então ele tem sido requisitadíssimo!) Há, além desta, outras denúncias contra o edil e sua família.
          Em seguida a empresa da vereadora Toinha Rocha, autora das denúncias, foi alvo de um atentado a bala na madrugada de hoje (http://tablet.opovo.com.br/app/opovo/destaque/index/2012/08/23/3958041/fachada-da-autoescola-de-vereador-do-psol-amanhece-cravejada-a-bala.shtml), horas depois de o incauto edil descer do plenário da câmara municipal a fim de realizar sua defesa em prantos, em invocações hereges ao santo nome do Criador e repleta de acusações e admoestações públicas à sua gananciosa mulher. 
          O detalhe é que os vereadores Leonelzinho Alencar, marido da miserável do Bolsa Família, e Toinha Rocha brigam por votos de Messejana, um bairro dessa pobre Fortaleza. A coisa toda se assemelha a uma disputa por um curral eleitoral, com direito a lances e recursos de toda sorte a fim de angariar votos para a eleição que se avizinha e de destruir o oponente ameaçador. Eu disse que a coisa "se assemelha" porque posso estar equivocado. Que a senhora Alencar recebeu ilegalmente recursos destinados aos miseráveis da nação não parece haver dúvida, pois sua inscrição consta no programa do governo federal. Não havendo como negar, o que se faz? Nega-se e se repreende publicamente a mulher, ora bolas! Mais: dá-se a ela o apoio incondicional de marido fiel, cúmplice, digo, companheiro e solidário na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na mentira e na verdade. (Desisti de "cúmplice" porque concedo ao marido o benefício da dúvida no referido episódio.) Como diria Nelson Rodrigues (Recife, 23.08.1912 - Rio, 21.12.1980), o marido não deve ser o último a saber – o marido não deve saber nunca! (Bem lembrado a propósito de seu centenário comemorado hoje!) O diabo é que, se o marido não sabia, outros sabiam e daí para seu conhecimento é um pulo.
          O que apõe uma nota de terror ao já terror da ganância por tão pouco, revelada na atitude da senhora Adriana Alencar, mulher do vereador Alencar, são os tiros na fachada da empresa da oponente. Quem poderia ser o autor intelectual do fatídico ato? A bem da verdade qualquer um. Correligionários do Alencar, com ou sem o seu conhecimento e anuência? A própria vereadora, usando de estratégia arrojada e ousada para incriminar o rival? Eleitores de um ou outro lado agindo à revelia? Não importa. A violência se achega à nossa campanha, como se estivéssemos em, sei lá, 1910. 
          Mas o que mais nos embasbaca é a cristalização da alma do brasileiro comum na atitude da senhora Adriana Alencar. Essa extrapola toda e qualquer tentativa de análise simples, intempestiva e temperamental. Com a palavra o Darcy Ribeiro. 

domingo, 19 de agosto de 2012

Manada

          Perguntou o nosso governador, após receber críticas pela "festa" de inauguração do Centro de Eventos do Ceará em que o governo pagou 3 milhões de reais por ela e onde o tenor Plácido Domingo foi a atração principal, além de "somente" 3 mil pessoas terem sido convidadas: -"E quais pessoas seriam convidadas?" E justificava: -" Fortaleza tem dois milhões e meio de habitantes! " 
          Eis que hoje abro "O Povo" e me deparo com matéria publicitária do "Governo do Estado do Ceará" promovendo a grandiosidade do mesmo Centro. Está escrito assim: CENTRO DE EVENTOS DO CEARÁ - O BRASIL CABE AQUI. De imediato pensei, como uma possível resposta a ser dada ao nosso ilustre funcionário público número 1: -"Todos seriam convidados, ora essa! Não cabe lá um Brasil inteiro?" O diabo vai ser encontrar um cidadão honesto com coragem o bastante para lá ir lhe dar a topetuda resposta. 
          É provável que alguém no palácio, um ouvidor talvez, responda pelo homem dizendo que a peça publicitária apenas e tão-somente carrega uma força de expressão, uma espécie de figura de linguagem, e nada mais. O caso então será silenciosamente encerrado e quem foi, foi; quem não foi, não foi. Até porque ao dia seguinte do evento exclusivo para very important persons, o Centro de Eventos ofereceu circo à vontade do povo. Apresentações diversas fizeram a alegria da plebe local, que já deixou a mixuruca polêmica por conta de pouca conta. 
          Não seria possível uma tão perfeita coincidência na mesma semana que passou o Ziraldo, que, acho, é beneficiário de uma gorda pensão do governo por ter sido perseguido político durante os nossos "anos de ferro", vir de lá não sei onde e afirmar de fronte alta e erguida: -"Muitos pais não percebem, mas seus filhos se tornaram idiotas." Observe-se que uma frase como esta perde toda a sua força provocadora individual quando dita assim, publicamente, coletivamente, impessoalmente. Seria o caso, me parece, de ter ido o Ziraldo na festança milionária do governo desse paupérrimo estado e, após vênias e pedidos humílimos de desculpas ao senhor Domingo, anunciar, como diria Nelson Rodrigues, de olho rútilo e lábio trêmulo, essa verdade incontestável – a tautologia é a propósito – a cada um dos presentes, olhando-os bem nas fuças. 
         Mas o que mais me chamou a atenção foi o que disse nossa agastadiça e espevitadíssima prefeita Luizianne Lins a propósito do caos mais que instalado e vigente na saúde(?) pública de nossa Fortaleza: -"O Governo do estado deve muito a Fortaleza." Destrinçando seu discurso, ela está convicta de que o município de Fortaleza, sob sua gestão, tem feito a diferença para melhorar o quadro que ora vemos. Para ela, Fortaleza está ajudando o governo do estado por estar recebendo o "refugo" de pacientes vindos de municípios do interior. 
          Que está recebendo isso ninguém há de negar ou contradizer a prefeita, mas quanto a estar isso fazendo a diferença, vamos e venhamos – não faz a mínima. E não faz porque os hospitais da cidade estão trabalhando acima de sua capacidade resolutiva. Eles conseguem resolver os casos de ou lidar com determinado número de pacientes. Acima desse limite, que é inerente a qualquer sistema, tudo pode acontecer com o "excesso". Veja-se, por exemplo, o que ocorreu outro dia em um dos hospitais "da prefeita".
          A sala de recuperação pós-anestésica estava abarrotada de gente e o paciente, um jovem de vinte e poucos anos, que havia sido operado de apendicite aguda, cobrira-se inteiramente com o lençol de sua maca. Tinha frio, talvez. (Quem já viu aquela sala de recuperação sabe que ela "transborda" pacientes para os corredores e até para as salas de operação mais próximas; qualquer dia desses "transbordará" pacientes a todas as salas de operação e o Centro Cirúrgico do hospital entrará em colapso. Não será possível operar alguém.) A equipe de funcionários do setor – médico, enfermeiras e auxiliares – permanece inalterada em número, de modo que é bem possível que detalhes gritantes passem despercebidos de sua atenção. E o que aconteceu foi que o jovem foi encontrado sem vida sob os lençóis quando, momentos depois, teve a atenção da equipe voltada para ele. Do ponto de vista puramente técnico caberia a pergunta: o que teria ocorrido? 
          Eis, então, que fica evidente a verdade hedionda – todos somos co-responsáveis e co-participantes do sistema assassino que fundamos e mantemos. No caso particular que usei como exemplo vislumbra-se apenas o caráter irresponsável, incompetente e ignorante de nossos políticos e executivos públicos. Eles fazem suas m... porque nós lá os colocamos. Desse ponto de vista indagar-se-ia: é possível dormir assim? A culpa diluída é semelhante à impessoal frase do Ziraldo dirigida a todos  e a ninguém. Não se pode condenar uma massa, um povo, uma multidão, uma população de eleitores, de maus eleitores. Essa é a medida de nossa mais completa e necessária alienação. Sem ela não nos seria possível dormir. Melhor ir às nossas intermináveis e diárias baladas, onde esquecemos de tudo e nos embriagamos de mais ignorância e mais nos misturamos. Nossa face permanecerá, assim, oculta em meio à manada da qual fazemos parte.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Obstinações diversas

          Diz o meu amigo Gilson Melo, estudante da neurolingüística, que oitenta por cento das pessoas são "visuais". Detalhe importantíssimo: – entre as mulheres esse percentual chega a noventa por cento. (http://site.suamente.com.br/teste-voce-e-visual-auditivo-ou-cinestesico/) A melhor definição que encontrei diz: "Pessoas visuais fazem uso, mais do que as outras, da visão; por isso gostam de fotos, cinema, etc. etc." Mais: executam a leitura de forma rápida, não estando subentendido se esta é ou não uma boa leitura. Mais provável é que sua leitura seja tão superficial quanto corrida, a não ser que tenha a habilidade da leitura dinâmica, o que não é comum. O que me leva a fazer tal afirmação é outra característica dos visuais: – às vezes saem da sintonia quando o "negócio" obriga a ter atenção durante muito tempo.
           Constato tudo isso quase que cotidianamente na rede social. Na rede social postei fotos de minha última viagem e posto sempre os textos que escrevo em meu blog. Fato notório e insofismável: as fotos são muitíssimo mais vistas do que os textos. Qualquer um pode ir lá e confirmar o que estou a dizer. Infelizmente os visuais perdem os detalhes da imaginação que a leitura proporciona. Para citar apenas dois exemplos, assista-se a "O amor nos tempos do cólera", de G. G. Márquez, e "Meu nome não é Johnny", do carioca João Guilherme Estrella. Mas não sem antes ler-lhes os livros em que são baseados. Os livros são infinitamente melhores do que os respectivos filmes os quais, muitas vezes, lhes omitem passagens importantes que dão às histórias um sabor todo único e próprio. Não há comparação. Muita gente, como diz a estatística, há de preferir as películas. Fazer o quê, ora bolas!? As pessoas relutam; resistem; recalcitram. Sabem do que sabem mas parece que não sabem.
             Por exemplo, na entrevista que o cirurgião cardiovascular americano Mehmet Oz deu a uma revista de grande circulação nacional ele afirmou o seguinte, a propósito de hábitos que proporcionam longevidade: "estreitar o relacionamento com as pessoas próximas e abster-se de julgá-las". A repórter insistiu: -"Abster-se de julgar os outros ajuda a manter a juventude?", ao que ele respondeu: -"Sim, da mesma forma que resolver situações de conflito." E sapecou: -"O conflito não traz nada de positivo. É apenas desgastante." E aconselhou a quem tem conflito com alguém a procurar esse alguém e resolver o impasse. É como eu disse: as pessoas relutam; resistem; recalcitram...
            Uma amiga foi taxativa: -"Não quero viver para sempre!" Lembrei-me do que cantava o Freddie Mercury:
           "Who wants to live forever?
           Who wants to live forever?
           Forever is our today
          Who waits forever anyway?"
          Caberia a pergunta ao solitário leitor: o prezado gostaria de viver, se não eternamente, ao menos uma longa, produtiva e saudável vida? A querida amiga deve saber que o Criador já nos fez essa indagação há muitos séculos: "Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que morrereis, ó casa de Israel?" (Ez., 33:11) E resistimos e teimamos...
            Contudo, há ainda mais, e bem mais. Veja o leitor, se é que os tenho, o artigo da jornalista Carol Castro para a revista Superinteressante de 5 de julho de 2012 intitulado "Torcedores de times campeões vivem mais" (http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/torcedores-de-times-campeoes-vivem-mais/). Embasada em evidências do método científico, a matéria dá conta, em outras palavras, de que torcer por time perdedor pode ser precocemente mortal. Ora, minha preocupação voltou-se incontinenti, tão logo a li, aos meus amigos Chico Heli e Guilherme Lisboa, além de meu afilhado Marcelo Lima, todos torcedores do Ferroviário, nosso Ferrim. É bem conhecida de todos a tristeza perene que acomete os torcedores desse tradicional clube do pobre futebol cearense. E por quê? Ora, pois não vive a perder o Ferrim?
            Diz a reportagem o seguinte. Veja o leitor e depois me diga se é ou não preocupante a situação dos torcedores corais: "Quando o time perdeu, os cientistas perceberam um aumento de 15% na taxa de mortalidade entre os homens e 27% entre as mulheres. Eles acreditam que o prazer de um título anula o estresse enfrentado durante o jogo". Ora, o Ferrim, além de jogar mal e irritar o pobre torcedor a partida inteira, ainda termina perdendo. A derrota do Ferrim é quase como a morte: uma certeza. Já nem me lembro a última vez em que o time foi campeão, e me parece que na última vez que o foi já se iam mais de dez anos da penúltima. Enfim, uma completa e humilhante lástima. 
           O diabo é que meus citados amigos, e outros, e outros, persistem e teimam em "amar" um clube tão destituído de glórias como esse Ferroviário. Dá pra entender? Bem dizia o Dan Ariely: o ser humano é um animal previsivelmente irracional.

Adendo: após poucos minutos da publicação deste texto na rede social o meu querido amigo Vinícius Tavares, um de meus pouquíssimos leitores, me escreveu informando que o último título estadual ganho pelo Ferroviário foi em 1995, há, portanto, 17 anos.

Um criminoso de 14 anos

          O meu querido amigo Luís Júnior tem uma maneira peculiar de resolver certos, digamos, incômodos. O leitor desde já fique ciente de uma característica de meu amigo que lhe serve como uma marca de vaca de pasto, uma idiossincrasia, um código de barras: o homem torce pelo Fortaleza. Dizendo assim parece que estou a usar de um estilo caricatural, mas, garanto, não é o caso.
          Alguém que o conheça dirá que ele é "doente" pelo Fortaleza, e direi que é pouco, muito pouco. Basta que apreciemos o que ele faz quando perde o Fortaleza para o Ceará. O Fortaleza pode perder para o Icasa, para o Ferrim, para o Maranguape, e para quem quer que seja; mas não pode perder para o Ceará, seu arqui-rival. Perder para o inimigo número um leva meu Luís Júnior a sofrer de agonias, cólicas e anginas excruciantes e cruéis. Tamanho sofrimento físico, moral e espiritual seria impossível de se suportar sem a ajuda de medida radical e drástica. Assim, que faz o Luís Junior? Resposta: vai para Miami no primeiro avião que parta após a derrota, e por lá fica até que passe a euforia dos torcedores rivais. Em agindo dessa forma evita as pilhérias, as gozações e as picardias inevitáveis e inexoráveis. 
          Aos amigos mais chegados confessa: -"Adoro Miami!" Até aí nada de mais. O que não consegue explicar é a coincidência que há entre as derrotas de seu amantíssimo clube para o Ceará e sua já previsível partida. 
          Não sei se por uma dessas combinações perfeitas que o destino por vezes reserva ou se por outra razão qualquer, meu querido Luís Júnior, já homem maduro quase podre, resolveu cursar Direito numa dessas inúmeras faculdades que existem hoje, onde conheceu e se tornou unha e carne de meu outro amigo Evandro Leitão, nada mais nada menos que o atual presidente do Ceará Sporting Clube. É verdade que à época, ao que me conste, Evandro nem sonhava em vir a ser o comandante supremo do clube que tanto ama. A propósito, é necessário deixar claríssimo como água que Evandro sente pelo Ceará o mesmo que Luís sente pelo Fortaleza, com uma diferença: se o Fortaleza surrar o Ceará, ele aqui permanece estoicamente e serenamente. 
          Vê-se, com toda essa lengalenga, que pessoas diferentes tomam atitudes diferentes frente a semelhantes situações. Nada mais natural, nada mais democrático, desde que preservadas a lei, a moral, o respeito voltairiano ao outro e a boa ética. Nunca, em nenhum momento, Luís e Evandro deixaram de ser os bons amigos que sempre foram desde o curso de Direito.
          Mas agora me pergunto o porquê de eu ter feito toda essa introdução. Ah, lembrei! Ontem ao sair do Instituto Dr. José Frota desejei ardentemente ir direto para o aeroporto, comprar uma passagem e fugir desse lugar. Não nutro nenhuma obsessão por algum destino específico como o meu amigo Luís Júnior, de modo que iria até pro Xapuri se me fosse o único destino possível. O leitor a essas alturas estará impaciente em saber que razão me deu o torporoso hospital para que ansiasse a fuga desesperada. Dir-lhes-ei.
          Fui vítima, no hospital, do que Nelson Rodrigues chamava de "Poder Jovem". Um fedelho de 14 anos de idade ocupava ontem, quando o vi pela primeira vez, um leito da unidade 18 daquela casa de saúde, acompanhado por sua mãe. Fora atingido por tiros nos membros inferiores e tivera lesões ósseas e arteriais. Havia duas versões para a história de seu trauma (os tiros). A primeira dava conta de que ele se metera a assaltar um cidadão que, por uma infeliz coincidência, era policial vestido à paisana  e que respondeu a tiros ao anúncio do assalto. A segunda dizia que ele e sua gangue entraram em confronto direto com outra gangue do bairro, e no tal confronto se deu mal. 
          Examinei-o e constatei: seu pé direito estava em processo de gangrena. Os médicos da emergência já o haviam operado e relatado por escrito em seu prontuário a gravidade do caso e a provável necessidade de amputação. Assim, fui direto e disse à mãe: -"Não é nada boa a situação do pé." E completei: -"Talvez ele o perca." 
          Teve início nesse momento um escândalo de proporções dantescas. O "garoto", um latagão, gritava e chorava alto com sua já máscula e grave voz, enquanto a mãe se descabelava e uivava, também chorando e dizendo: -"Ele é 'de menor'! Ele é 'de menor'!", como se sua menoridade fosse frustrar o êxito inexorável e trágico, consequência de seus atos ilícitos e criminosos. E me acusavam aos gritos e impropérios, ele decretando que eu não devia ter dito tal coisa na frente de sua mãe: -"Ela vai adoecer! Ela vai adoecer! Diz isso não, 'cara'! Diz isso não, 'cara'!"; ela se esgoelando: -"Diz isso pra ele ouvir, não! Diz isso pra ele ouvir, não! Ele é 'de menor'!" E, disseram-me depois os colegas da enfermagem, quando saí, em minha ausência, que ele me ameaçou. 
          Veja o leitor onde chegou o que nossa sociedade produz. Não existe o crime, existe exclusivamente o menor. Não há crime em seus atos, existe apenas e simplesmente sua menoridade. Um cadáver eventual produzido por um menor descaradamente não existe, como o da bela Marcela Montenegro, morta(?) a tiros por menores ou com a colaboração engenhosa deles. E já nem sei se está mesmo morta. Um menor nunca mata, não há crime possível entre eles. Definitivamente os idiotas tomaram conta de tudo.
         Cabe, então, a pergunta final: a quem denuncio um criminoso que me ameaça e que se esconde detrás de sua menoridade?

A TERTÚLIA QUE ME FEZ CHORAR

                 Quase junho e a chuva não arreda. E ainda há gente que diz que “é inverno”. Como aqui, pertinho da linha do equador, só há ...