domingo, 23 de agosto de 2015

"MENOTTI" MOTTA E AS TRÊS RAPARIGAS

      O que não me sai da cabeça é a cabeleira do Cesar Luis Menotti, técnico da seleção argentina em '78. O homem, hoje com 76 anos, sentou o pau na seleção brasileira da última copa do mundo em entrevista recente. Fui ver-lhe a fotografia publicada na citada entrevista e pude comprovar – é, sem dúvida, uma cabeleira impressionante a do senhor Cesar Luis Menotti. Confesso sem medo da franqueza – li apenas os dois primeiros parágrafos de sua conversa com o repórter. O que me prendia os olhos, volto a repetir, era a cabeleira.
      Os amigos hão de querer saber por que diabos estou eu a me assustar com essas bobagens, de modo que me vejo obrigado a confessar – o meu amigo Fábio de Oliveira Motta tem uma cabeleira igualzinha à do velho futebolista. Para deixar as coisas absolutamente claras e indubitáveis, alerto a que não confundam o ex-técnico argentino com certo cantor de música sertaneja. Este é um sujeito gordinho e atarracado cuja cabeleira é vasta e densa, bastante diferente da dos outros dois.
      O caso é o seguinte. Na última quinta-feira encontraram-se os maristas no intuito de molhar a palavra, e presente entre eles o nosso Motta. Desde maio passado, quando do encontro deste mesmo grupo para comemorar os 54 deste que escreve, observou-se a roqueira cabeleira do homem. Foi ela, relembremos, o mote para uma desinteressada crônica (http://umhomemdescarrado.blogspot.com.br/2015/05/os-bobes-do-fabio-motta.html). De lá para cá, quinta última pudemos constatar, o nosso Motta não há de ter ido ao fígaro uma única e mísera vez. Por isso a cabeleira está ainda mais vistosa e escorrida. Vejam que ela tem as mesmas características da do senhor Menotti – é minguada no alto da cabeça e basta no occipício. Constatada a semelhança brutal e preocupados em dar ao amigo um título de fama, resolvemos apelidá-lo de Fábio “Menotti” Motta.
      Eu disse que o senhor Menotti tem 76 anos. O “Menotti” Motta tem apenas 53. O diabo é que, como o homem fez uma penosa dieta – está a se alimentar apenas do açaí que lhe vende o Bacana –, emagreceu para lá de 10 quilos. Essa perda ponderal lhe trouxe benefícios físicos óbvios, mas também trouxe-lhe efeitos indesejáveis, o principal deles o aparecimento de abundantes linhas de expressão nas fuças, digo, na face. A título de exemplo, vejam-se-lhe os sulcos nasolabiais. Ficaram tão pronunciados que o homem às vezes se assemelha a certo personagem do desenho animado, um simpático e tristonho cãozinho branco cujo nome agora me escapa. (Saí a ver qual seria ele e – pimba! – não é que o encontrei?! Seu nome é Droopy, mas não me perguntem em qual específico desenho ele atua.) Observem que os sulcos nasolabiais são linhas naturais e suaves marcas à juventude que se aprofundam e se acentuam à medida que se envelhece. Afora eles o nosso “Menotti” Motta apresenta outras linhas não tão naturais, adquiridas pela perda adiposa de seu rosto.
      O Serjão, presente à mesa ao momento em que admitíamos a incrível semelhança da cabeleira e não somente desta mas também das fuças, digo, da face de nosso Motta com a do argentino, tratou logo de contrair, de tornar menor o novo apelido. Como ele é um baiano frustrado desde que morou por aquelas paragens há muitos anos, arrematou: –“Fêmêmê”! E assim todos acordamos em como seria a alcunha do Motta: Fêmêmê. (Observem que os circunflexos aqui não se prestam a denunciar a sílaba tônica: a palavra é, obviamente, oxítona. Os circunflexos servem apenas a realçar a “baianidade” do termo e nada mais.)
      Quem pensar que Fêmêmê agastou-se com essa balbúrdia toda em torno de seu nome, de suas mudanças físicas e de seu novo velacho, engana-se redondamente. O homem adorou. Considerou tudo uma grande pilhéria, como é o costume entre amigos que se amam.

     
      E após três raparigas fomos dormir em paz. (Calma. O vinho era o português Rapariga da Quinta...)