sexta-feira, 29 de abril de 2016

O DIABO SÃO OS FATOS...

Vou ao pai-dos-burros procurar o significado da palavra manipulação. Acho o seguinte: intervenção no desenvolvimento de determinado sistema ou processo, com vista à alteração de sua evolução natural. Pode ser também, verbalizando o substantivo, condicionar ou influenciar, geralmente em proveito próprio; e o que considero mais torpe na “arte” de manipular: adulterar, falsificar.
Os tempos atuais são difíceis, como é bem sabido de todo bom brasileiro, e o que mais se tem feito é manipular. O governo, por exemplo, manipula dados a torto e a direito, tentando dar a si mesmo credibilidade e competência, por exemplo.
Mas o diabo são os fatos. Os malditos fatos teimam em existir. O governo tem se utilizado de uma máxima de Nelson Rodrigues que dizia que, se os fatos não confirmam o que digo, então pior para os fatos. Como os fatos de nada se condoem, quem se condói é o povo, amargando desemprego e aumento dos preços.
Isso sem falar do enriquecimento fácil e rápido de agentes públicos ou de seus parentes, envolvidos até a alma em operações ilegais de recebimento ou transferência de dinheiro entre o que é público e o que é privado, tudo provado milimetricamente graças à evolução tecnológica capaz de demonstrar a rota do dinheiro e as relações incestuosas entre os vários agentes.
Diz o Robert Kiyosaki que, se você não pode provar que algo é um fato, então é apenas e unicamente uma opinião. Os agentes policiais que estão a investigar a gigantesca trama criminosa montada no Palácio do Planalto não têm emitido nenhuma opinião sobre se A fez ou não fez aquilo, ou sobre se B e A se relacionavam ou nem sequer se conheciam; os agentes da polícia têm provado tudo isso sem a possibilidade de margem a contestações. Assim, os fatos abundam, ao passo que as opiniões também.
E por que abundam as opiniões na presença de tantos fatos? Ora, a resposta é simples – na presença do incontestável somente é possível a opinião! Parece ser isso uma escandalosa contradição, mas não é e simples é a explicação: cada fato é único, ao passo que as opiniões abundam, como já dissemos. Esse exagero numérico das opiniões tem um destino bem conhecido – bagunçar a ordem ou a tentativa de a impor. Vê-se que as opiniões diante de um fato estão justamente a tentar piorar as coisas para ele – pior para o fato!  
Engana-se quem julga que uma opinião é algo destituído de maldade, ou de inocência, ou de pureza. Atentem que não estou afirmando que toda opinião é má, ou malvada, ou mal-intencionada, dirigida a propósitos torpes. Mas há opiniões nitidamente dirigidas a propósitos pouco nobres. No caso das opiniões em torno dos atos suspeitos do governo brasileiro, e emitidas por milhares de seus apoiadores e operadores, elas servem a vários e abjetos propósitos. Para boa coisa é que não seria.

BABÁ DE BABAR!

                                                                            I
                Não havia dúvida – a babá fascinava o Amorim. E não somente a babá. Estava ficando neurótico com esse negócio da AIDS. Morria de medo de contrair a maldita, a mortal, como a ela se referia. Tinha pesadelos que o despertavam em suores e delírios. A mulher não atinava, não fazia ideia do que se passava. Já começava a achar que o marido precisava de um psiquiatra. Ele, por sua vez e entre amigos, queixava-se do comportamento frígido da mulher:
–“Não gosta de sexo”...
E com sinceridade admitia – a muito custo passava um único e solitário dia sem os folguedos. Perguntava-se o que fazer.
                II
O que aconteceu foi o seguinte.
Saía da repartição e ia a um bar com amigos. Chegava à casa pelas 11 da noite e a mulher já dormia. Então, com o mais elevado espírito do zeloso pai, ia ao quarto das pequenas a ver se dormiam. Voltava à suíte do casal, tomava uma ducha morna e deitava-se.
Certa vez, porém, ocorreu o inusitado naquela noturna rotina familiar. Ao inspecionar o angelical sono das filhas, deparou-se com a babá a dormir com elas. E não só dormia como também ressonava. Dir-se-ia que o ronco se assemelhava ao de um leão que lhes velava os sonhos.
No entanto, o que o atormentou deveras naquela que tudo tinha para ser uma cena pueril e casta foi a nudez da babá. Sim, ela dormia não nua em pelo, mas quase isso. Usava diminutas roupas íntimas, dessas que fazem voar a imaginação do homem. E parecia querer ser vista por quem porventura adentrasse o aposento, já que lançara para longe de si as cobertas. Amorim, atordoado, recuou e fechou atrás de si a porta em estado de suspensão dos sentidos. Dormiu aquela noite, ou por outra, não dormiu aquela noite imaginando mil e uma fantasias.
Dali em diante e sob o efeito desmoralizador do álcool, ele adentrava o quarto das filhas e vinha bolinar a babá, que passara a dormir ali todas as noites. E quanto mais o fazia, mais ousado se tornava, de modo que seria impossível imaginar que alguém dormisse tão profundamente a ponto de não despertar com aquelas apalpadelas incômodas. E já nem saberia dizer se ainda roncava.
               III
A babá era uma catarse, não há dúvida. Mas era pouco. Precisava de mais, muito mais. Estava ficando entediado daquele negócio de “ver a brecha” e passar a mão. Ademais, vamos e venhamos: era perigoso. Alguém poderia surpreendê-lo qualquer dia desses. Não queria profanar o santuário do lar, dizia, como se já não o tivesse feito. Precisava resolver aquela situação. Concluiu que precisava de uma amante, uma que se assemelhasse a atriz de pornochanchadas.
Diz o adágio popular que quem procura, acha, e é a mais pura e singela verdade. Tanto fez o Amorim que acabou por arranjar uma concubina, uma jovem “namorada”. Já alardeava eufórico:
 –“Topa tudo”!
Para os amigos dizia que ela tinha, como ele, a libido exagerada. Eram a mão e a luva. E providenciavam-se momentos de amor jamais imaginados. A coisa ficou tão séria que um amigo, solteirão convicto, cedeu-lhes uma cópia da chave de seu apartamento. Todas as tardes, chovesse ou brilhasse o sol, lá ia o casal se refestelar em orgias intermináveis. Já nem respeitavam o horário de chegada do dono do imóvel. Ao chegar do trabalho, o homem ainda dava com eles por lá, nus ou seminus, Amorim sorridente e feliz.
              IV
Até parecia solteiro. Apaixonara-se pela amante, ainda que não admitisse. Em casa a mulher não incomodava, nem ele a ela. Dir-se-ia terem selado um pacto de convivência pacífica.
O diabo é que ele passou a se enciumar da pequena, da amante. Quando não estavam juntos, gastava o tempo a fiscalizá-la, monitorá-la, espreitá-la, vigiá-la. Onde fosse ou estivesse a moça, em casa dos pais, no trabalho, fazendo compras, na praia, nos quintos dos infernos, lá estava o Amorim, ao telefone. Comprara-lhe um aparelho portátil especificamente para esse fim. A jovem mais parecia uma vaca marcada, com um chocalho amarrado ao pescoço. Ela se obrigara a ligar de onde estivesse, de cada novo lugar onde chegasse. Ele, por sua vez, perguntava, inquiria, duvidava... Queria o completo controle do romance. A desculpa era a AIDS, a maldita. Era fundamental, para sua tranquilidade, a fidelidade da parceira. Não assumia a paixão.
            V
Se quem procura acha o que quer, há de achar também o que não quer. Foi assim que o Amorim flagrou a amante numa conversa despretensiosa. Jogou verde, colheu maduro. O que ele não esperava é que o amigo que lhe emprestava o próprio lar estava a par de seus chifres e nada lhe participara. Havia visto a pequena na praia na companhia de certo varão vigoroso, porte atlético, coisa e tal... Poupou-se de avisar ao amigo por julgar que não há traição entre amantes. Fosse a mulher oficial, vá lá...
Amorim foi implacável com o amigo, ainda que às custas de onde não ter mais onde levar a pequena para suas tardes orgiásticas. Com ela, entretanto, foi compassivo e, a algum custo, aceitou de bom grado os chifres. Afinal, no seu entender, é obrigação dos amigos zelar pela ausência de irregularidades na cabeça dos comparsas. Amizade como aquela não queria. Pros diabos os falsos amigos!...
                                                                      VI
                O romance, contudo, continuou intrépido. Amorim inventava umas viagens aqui e ali à guisa de ficar mais tempo com a pequena, e o caso se prolongava sem indícios de problemas. Era isso o que parecia.
Contudo, ao largo do conhecimento geral, a esposa recebia constantes ligações em seu telefone particular onde uma mulher, dizendo-se amiga e não se permitindo identificar, denunciava a pouca vergonha do caso que seu marido mantinha com essa fulana saída sabe-se lá de onde etc. etc. etc.
Sem tempo a perder com o que julgava serem trotes, deixava por menos e guardava segredo. Não dava importância, até que eram tantas e frequentes as chamadas num único dia que, afinal, resolveu tirar a história a limpo. Aproveitando-se de uma indicação de sua nova “amiga”, foi ao lugar por ela indicado para ver com seus próprios olhos o marido com a amante.
                                                           VII
Amorim foi obrigado a sentar-se com a mulher para resolver a questão familiar. Afinal, ela o flagrara aos amassos com aquela bruaca sem eira nem beira. Que diabos queria ele? a separação?
Não, não queria. Queria a família, a mulher, o lar... (esquecera-se da babá, que lá ainda habitava.) Aquilo fora apenas uma aventura passageira e sem importância, resultado de suas necessidades sexuais não satisfeitas. A mulher até reconheceu certa culpa no caso. E assim acertaram-se. Ali mesmo, na paz do lar, caiu sobre ele o perdão da esposa traída e as bênçãos do recomeço, com uma única condição: que ele largasse, de uma vez por todas, a amante.
                                                          VIII
Ao telefone, dias depois, a mulher ouviu a voz que dizia:
–“Preciso te mostrar uma coisa”...
Minutos depois estavam ambas, lado a lado, com o álbum de fotografias do casal de amantes à vista. Viagens, momentos, sorrisos, aventuras e sexo, haviam todos sido captados pelas lentes da máquina fotográfica do Amorim. Era o álbum de um casal pleno de felicidade, repleto de satisfação e cheio de esperanças no futuro. (Foi isso o que a esposa viu e sentiu com o coração aos pedaços e em prantos...)
Quando já ia abrir a porta para entrar no carro de volta para casa, a mulher ainda teve de ouvir a amante dizer:
 –“Os telefonemas... Era eu mesma quem te ligava”.
Amorim e a mulher se divorciaram e ele foi viver com a inebriante namorada, da qual também se apartou menos de um ano depois. 

quarta-feira, 20 de abril de 2016

QUEDÊ MADAME SERJÃO?

               Madame Serjão se aquietou.
                (Há leitores que sequer imaginam quem seja Madame Serjão, razão pela qual me sinto impelido a lhes dar uma explicação bem sucinta e direta: Madame Serjão é o meu querido amigo Sérgio Moura.)
                Antes da votação do processo de impeachment da presidente Dilma pela Câmara Federal, o homem era considerado – ele se considerava – o analista político. E fazia previsões. Poucos dias antes da sessão no parlamento, vaticinou:
 –“Ela não cai”. (Referia-se à presidente da República.)   
Tudo isso acontecia na rede social. (Saibam que a realidade da rede social é mais real que a vida real. Esta se tornou quase como uma existência onírica, como um daqueles sonhos tão vívidos dos quais nem nos damos conta de ter acordado quando toca o despertador.)
Toda previsão lacônica soa solene e podíamos, ainda que ausentes das vistas uns dos outros, quase perceber em Madame Serjão a profundidade e seriedade de seu olhar. A profecia caiu como uma bomba. Nossas esperanças de um Brasil melhor se esvaíam como água entre os dedos, e os participantes da rede se condoíam em ais e gemidos. Eu mesmo, confesso, quase não preguei o olho a noite inteira.
(É, de fato, uma coisa que não se explica – Madame Serjão não acertava uma.)
Veio a votação e o país inteiro percebeu a verdade incontestável – Dilma Rousseff está com os dias contados em seu cargo. É verdade que ainda não caiu, mas a cada dia e mesmo em reuniões de condomínio sente-se nos ossos a inexorabilidade de sua queda. O povo foi às ruas, vibrou com a decisão dos deputados, comportou-se civilizadamente, e o país acordou no outro dia respirando o puro ar da esperança. Aguarda-se agora a decisão do Senado.
Neste mesmo dia, o dia seguinte ao da votação, o silêncio de Madame Serjão era maior que o que reina no espaço sideral. Acabaram-se as predições e os vaticínios. Sentindo um certo incômodo com a quietude do amigo e imaginando-lhe sentado à sua mesa redonda usando seu turbante cor-de-rosa diante de sua bola de cristal, enviei-lhe uma mensagem provocativa. Ele respondeu sucinto:
 –“Ainda faltam o Senado e o STF”.
"De fato", pensei. Mas não senti na resposta aquela contumaz convicção de Madame. Desapareceu e escafedeu-se, por assim dizer, a Madame Serjão convicta, peremptória, positiva, pedante até. Sumiu. Como disse ao início, aquietou-se. De lá para cá nenhuma previsão fez, nenhum palpite arriscou. Andou aí, soube depois, montando banca de apostas para adivinhar o placar. Contra suas próprias certezas, não quis apostar a favor de sua profecia. Preferiu admitir a derrota de Dilma na Câmara e ater-se apenas e tão-somente ao placar da surra.
A novidade que corre é a de que ganhou a aposta, um almoço regado a um Chianti em restaurante chique. Ou seria uma cervejada com batatas fritas ali na Zena? Não me recordo. E para punir ainda mais o perdedor convidou-me a acompanhá-lo a fazer parte da farra por conta do pobre e incauto apostador. Não sei é como vai fazer para cobrir as minhas despesas, já que não participei da banca. Vai ver já apostou na derrota da mulher no Senado. Definitivamente, parece que, além de Dilma Rousseff, Madame Serjão também está no fim de seu período de glória. Ou já morreu, inumaram e ainda nem percebi... 

terça-feira, 19 de abril de 2016

A PERSISTENTE IGNORÂNCIA

                Digamos logo de uma vez, que não sou homem de estar a propagar meias palavras: o deputado federal do PT baiano que rasgou elogios a conhecidos facínoras comunistas brasileiros chama-se Valmir Assunção.
                No último domingo ele gritou, ao final de seu voto contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (voto 122): –“Viva Lamarca! Viva Marighella! etc. etc. etc...”
                Nitidamente escritas por pessoas da esquerda esquizofrênica, as biografias “googleanas” desses elementos são eivadas de sentimento de respeito a eles, de exaltação à sua gloriosa vida de lutas em prol do comunismo e da criminalização das ações do governo que levaram às suas mortes. Em nenhum momento se referem à natureza de seu ideário e seus resultados pelo mundo, como sói ocorrer nos escritos dessa natureza.
                O ponto nevrálgico da questão comunista segue sendo, em pleno século XXI, a inexplicável e cavalar ignorância sobre a sua natureza, embora a história recente e pretérita esteja repleta e infestada de fatos e relatos fidedignos capazes de horrorizar e escandalizar ao mais frio dos seres humanos.
                Pois a jornalista Miriam Leitão pedia ontem em artigo no portal do O Globo a cabeça do deputado Jair Bolsonaro porque, segundo ela, ele estaria exaltando a tortura e incitando à violência. A jornalista “esqueceu-se” de mencionar que o referido deputado petista, segundo seu próprio critério, teria exaltado não a tortura, não a violência, mas os assassinatos em massa, o degredo desumano, o extermínio de povos, o terror de Estado, as execuções sumárias de opositores, enfim, exaltado as práticas comunistas mais legítimas e corriqueiras. Esqueceu-se também de que o deputado Valmir Assunção é conhecido colaborador dos programas mais perniciosos e suspeitos do governo, como o famigerado Mais Médicos, além de ser reconhecido dentre as hostes comunistas como fundador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) na Bahia, reconhecidamente considerado um exército ilegal do Partido dos Trabalhadores que invade propriedades privadas destruindo seu equipamento e matando seu rebanho.
                A jornalista talvez não saiba, já que o deputado é aquele tipo de parlamentar que trabalha nos bastidores como um rato de esgoto e não obtém, infelizmente, a atenção da mídia maior, mas ele é autor, por exemplo, de um projeto de lei, o PL 2857/2011, que propõe a inscrição do guerrilheiro comunista Carlos Marighella no livro dos heróis da nação.
                Diante de tantas evidências da mensagem subliminar que o deputado petista enviou à nação à anunciação de seu voto, custa-me entender por que a jornalista Miriam Leitão não lhe pediu também a cabeça. Será ela simpatizante dessa causa assassina? ou é apenas ignorância sobre ela? Não me surpreenderia...  

ULSTRA x CARLOS MARIGHELLA

  Um dia após a votação pela continuidade do impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, a jornalista Miriam Leitão escreveu um artigo para o jornal O Globo onde pergunta: “A democracia tem mesmo que conviver com quem a ameaça, como o deputado Jair Bolsonaro?” (http://blogs.oglobo.globo.com/miriam-leitao/post/democracia-brasileira-e-ameacada-por-bolsonaro.html). E por que faz ela tal questionamento? Porque em seu voto, segundo o entendimento da jornalista, o deputado fez apologia à tortura ao elogiar um suposto torturador do regime militar, o falecido Coronel Carlos Alberto Brilhante Ulstra. Propõe, inclusive, a cassação de Bolsonaro por tal discurso.
                Sem entrar no mérito de se o referido oficial do Exército Brasileiro pode realmente ser classificado como torturador ou não e admitindo que tenha sido, é isso em si uma ameaça de Bolsonaro à democracia? Seu pronunciamento excita a que alguém torture alguém? Prega o deputado em seus discursos na Câmara Federal a tortura, o assassinato, o sequestro de brasileiros, a morte de opositores?
Se bem me recordo, um certo deputado baiano petista cujo nome agora me escapa, e me escapa apenas porque o considerei estúpido o bastante para ser esquecido, exaltou, também ao momento de seu voto, tal qual fez o deputado Jair Bolsonaro, um certo conhecido comunista morto pelo regime militar chamado Carlos Marighella, cuja vida é objeto de um livro de autoria de Mário Magalhães, jornalista da Folha de São Paulo, disponível na rede mundial de computadores para quem quiser apreciar melhor a memória desse considerado “herói” comunista.  À capa do referido volume e abaixo de seu nome o aposto “o guerrilheiro que incendiou o mundo” (http://lelivros.online/book/baixar-livro-marighella-mario-magalhaes-em-epub-mobi-e-pdf/).
                Considerado sedutor e valente, o homem era vigiado pela CIA e monitorado pela famigerada KGB. Chegou a ser deputado federal. Que fazia ele? Dedicava-se à guerra declarada pelo comunismo ao ocidente. Seu objetivo: implantar o comunismo em nosso país. Seria ele um Lee Harvey Oswald tupiniquim, sem lhe constar no currículo o assassinato de um presidente da república, mas há de ter matado pessoas menos importantes. Publicou livros, dentre eles o “Mini manual do Guerrilheiro Urbano” onde ensina técnicas de assalto a bancos, assassinatos, atos terroristas e por aí vai.
                Ora, Stéphane Courtois e colaboradores em seu “O Livro Negro do Comunismo” (http://lelivros.online/book/download-o-livro-negro-do-comunismo-stephane-courtois-epub-mobi-pdf/) ensina o resultado da obra comunista ao redor do globo e os motivos pelos quais até hoje seu ideário ainda encanta incautos, desavisados e ignorantes. Destoando do socialismo filosófico e teórico de Karl Marx e Friedrich Engels, o comunismo prático mostrou-se, onde foi efetivamente implantado, assassino sistemático e causador de miséria e dor. Assim, ao concluir a leitura de ambos, o leitor saberá que Carlos Marighella não havia de ser visto como o “herói” libertador assim como tantos outros como ele, equivocadamente, o foram. Era um agente a serviço de um ideário onde a matança de seres humanos simplesmente classificados como antipáticos ao regime era a regra de conduta. Fome, tortura, julgamentos sumários, eliminação de magistrados, professores, médicos e toda a elite cultural do país onde era implantado constituía e ainda constitui o modus operandi do regime comunista.
                Ora! Pela lógica da jornalista não estaria este senhor saído das lides do Partido dos Trabalhadores também incitando a violência e o crime? a guerra comunista contra nós que somos antipáticos ao regime que querem nos impor? Não estaria ele massageando o ego da “guerrilheira” Dilma Rousseff e conclamando seus asseclas e comparsas à luta armada em pleno estado de Direito numa democracia cujas instituições têm funcionado ainda que a muito custo?
                Peço, então, à senhora Miriam Leitão que reveja as imagens da votação e faça suas reflexões. Quanto ao Coronel Ulstra e o bandido Carlos Marighella, eis aí os inimigos em uma guerra feroz. Os heróis estão em lados opostos.  

sexta-feira, 8 de abril de 2016

MADAME SERJÃO

                Recentemente tenho apelado a Santo Epitácio. Súbito, uma dúvida me assalta: – existe Santo Epitácio? Digo, há na lista dos beatificados dos católicos o Santo Epitácio? Fui olhar.
                Não há. Nem nos católicos nem em qualquer outra igreja. E por que cargas d’água fui eu me valer de santo Epitácio? Acho que foi a lembrança de um primo com esse nome e que vive alhures.
                A bem da verdade, não acredito em santos. Numa impressionante e intrigante coerência entre seus vários livros, a Bíblia Sagrada não se refere a santos; justamente porque, noutra espantosa coerência, ela ensina a ressurreição no tempo designado e não a vida imediata após a morte. Jesus Cristo, o personagem central do cânon sagrado, é o exemplo mais contundente e espantoso de tal ensinamento. Assim, a admissão dos santos é absolutamente incoerente com os ensinamentos do Livro. Há, até, a história de padre missionário em Sobral que, diz-se, alardeava aos quatro ventos: –“O santo é um defunto privilegiado!” Bem se vê que faltava ao referido sacerdote a devida fé que sua igreja exigia.
                Com efeito, devo admitir, meu vocativo ao santo inexistente era uma galhofa, um chiste, uma pilhéria. Em casos onde o absurdo se apresenta ou se insinua à concretização, a invocação de outro absurdo vem bem a calhar. Por exemplo, quando o meu amigo Sérgio Moura vem de lá com suas previsões apoteóticas. De tanto se aventurar às adivinhações sobre o porvir, apus-lhe uma alcunha. Passei a chamar-lhe de “Madame Serjão”, e o imaginei sentado a uma enorme mesa redonda usando um felpudo turbante cor-de-rosa e tendo à sua frente uma esfuziante e reluzente bola de cristal. Há quem duvide ser Madame Serjão capaz de fazer uso de acessório tão comprometedor – falo do turbante –, mas é exatamente assim que o imagino ao momento de consultar o além. (A imaginação é minha e imagino como quiser e bem entender! Em nosso mundo interior somos ditadores absolutos e totalitários.)
                O caso é que Madame Serjão é um apaixonado pela política, seus desdobramentos e sua extensa malha de possibilidades. É sabido de todos que o cenário político brasileiro adquiriu atualmente um aumento exponencial nesse complicado tecido de resultados possíveis, uns mais, outros menos prováveis de se materializar. A toda hora e todos os dias fatos novos e novas provas descobertas na operação levada a cabo pela polícia federal e pelo ministério público estampam as páginas dos jornais e provocam os plantões dos noticiários televisivos. E nem precisaria, já que Madame Serjão gasta quase todo o seu tempo aboletado defronte à televisão a degustar a TV Câmara e a TV Senado; lê diariamente as colunas dos principais comentaristas políticos do país; assiste aos telejornais das várias emissoras pela manhã, à tarde e à noite; e, finalmente, veste o pomposo turbante cor-de-rosa, senta-se defronte à sua resplandecente bola e recebe, sabe-se lá de onde, as mais sigilosas e secretas informações sobre o que acontecerá ao país em breve. Ato contínuo, vai Madame Serjão às redes sociais e vaticina:
–“Dilma não sai!”
Ou, ainda mais terrificante:
–“O STF absolverá Lula!”
Outro dia, precisamente o dia em que saiu a liminar impedindo o ex-presidente de assumir a chefia da Casa Civil do governo, Madame Serjão humilhantemente profetizou:
–“Não dou 2 horas para a liminar cair!”
Era de manhã. Passaram-se 2, 3, 4, 5, 6..., 24 horas e a tal liminar não caiu. De fato, não caiu até hoje. (Já se vão sei lá quantos dias.)  
Foi assim que passei a olhar Madame Serjão com certa desconfiança. Não por seu turbante cor-de-rosa, que a cor ainda está na moda, mas por ter-se equivocado gravemente numa de suas previsões mais relevantes. Por isso é que me invadiu a curiosidade de ver-lhe pessoalmente a bola de cristal. Duvidei que fosse mesmo talhada em vidro tão valioso quanto pensei ao início. Minha suspeita é que a bola de Madame Serjão seja uma dessas que se vendem em lojas da 25 de março por cinco ou dez reais. E olha que Madame Serjão prevê que o real irá se desvalorizar ainda mais!...
Justamente nesse ponto não tive como evitar o meu espanto e minha indignação. Quase que automaticamente bradei:
–“Valei-me, meu santo Epitácio!”       

quinta-feira, 7 de abril de 2016

QUANTA DIFERENÇA!

                Quanta diferença! Os diretores dos hospitais geridos pelo governo do Estado pediram demissão de seus cargos. O motivo: a secretaria de saúde vem, cada vez mais, centralizando a gestão(http://www.opovo.com.br/app/opovo/cotidiano/2016/04/07/noticiasjornalcotidiano,3599310/diretores-do-hgf-e-do-hospital-do-coracao-entregam-cargos.shtml). Em outras palavras, é a secretaria da saúde, ou o senhor secretário – que nem mesmo é profissional da área –, quem tem tomado as decisões e quem tem direcionado os recursos para onde quer e bem entende. Os senhores diretores nada decidem, nada podem fazer e nada fazem de fato, ainda que sejam eles a estar na linha de frente da batalha diária dessas unidades de saúde e quem sentem na pele suas deficiências e necessidades.
                Suscitam-se aqui algumas reflexões. Em primeiro lugar, para que serve diretor que não dirige? Segundo, por que temos um secretário de saúde que não é profissional de saúde? Terceiro, a quem interessa a gestão centralizada? Quarto, por que a gestão centralizada? longe da realidade dos hospitais?
                A matéria do jornal O POVO de 05/08/2015 levanta algumas suspeitas sobre tudo isso (http://www.opovo.com.br/app/politica/2015/08/05/noticiaspoliticas,3480924/henrique-javi-assume-secretaria-de-saude-do-ceara.shtml). O que mais espanta não chega a ser as suspeitas, mas a inação da sociedade e de seus representantes ante ao que parece ser uma aberração, mais uma, na administração pública. Leia-se a reportagem e entenda-se o que estou a dizer. Ao que parece, mais uma vez puseram os lobos a tomar conta das ovelhas. O resultado não poderia ser outro – estão comendo as pobres ovelhinhas que, de tão indefesas e puras, estão minguando no rebanho. Com mais um pouco e teremos lobos gordos e ovelhas inexistentes. A caçada anda solta e os campos estão banhados com o sangue dos inocentes. Nem um pio da sociedade; nem um grito de socorro; nenhum ai... Os entes da Justiça calam-se solenemente até hoje causando, como diria Nelson Rodrigues, um silêncio ensurdecedor.
                E por que “quanta diferença!”? Porque os colegas que estavam diretores nos hospitais estaduais fizeram exatamente aquilo que se espera que se faça quando se “está” em determinada função pública e se vê confrontado com a perversão de seus princípios. (Há que se presumir que um ser humano tenha princípios.) Diferem, por exemplo, de outros “colegas” da gestão de hospitais municipais que comem na mão do prefeito e seus asseclas e sentem-se confortavelmente aboletados em suas cadeiras giratórias, já que suas consciências não lhes incomodam minimamente. No momento presente, em particular, os recém ex-diretores dos hospitais estaduais são médicos de renome e reputação ilibada e estavam apenas dando sua valiosa contribuição na gestão da medicina pública. Não pretendiam ir além disso. Não abandonaram suas clínicas na pretensão de seguirem na função. Em outras palavras, não são ou eram “carreiristas”, diferentemente de muitos dos diretores dos hospitais municipais cuja reputação é, no mínimo, duvidosa e cuja atuação junto ao paciente tende a ser nula, além de, freqüentemente, gastarem seu tempo a fazer a politicalha corrente, cujo maior efeito é exatamente a péssima gestão que se tem visto nesses hospitais.

Digo isso e faço tal comparação justamente por integrar o corpo clínico de hospitais que se encontram sob as duas gestões. De fato, não há diferentes gestões – há princípios e a ausência deles. É gritante a diferença da cultura hospitalar entre o hospital cujos gestores têm princípios e o hospital cujos diretores são deles destituídos. No município, a gestão está falida com a anuência dos médicos de seu corpo clínico, ao passo que, no Estado, o corpo clínico resiste estoicamente às inúmeras e repetidas tentativas dos canalhas da administração pública em fazer com o hospital e sua cultura o mesmo que fizeram e fazem os gestores do município. Daí porque entregaram seus cargos os ilustríssimos diretores dos hospitais estaduais. Não há como não se encher de júbilo ante a atitude desses corajosos colegas que não se renderam silenciosos à incompetência e ineficiência e, acima de tudo, ao massacre de seres humanos doentes vítimas de um sistema de saúde que promove a dor, a mutilação e a morte.