domingo, 22 de maio de 2011

No pain, no gain

“Eu nada seria sem as minhas obsessões”, dizia o Nelson. O que ocorre conosco é a obsessão às avessas, a obsessão de nossas mazelas. Nós, como vítimas passivas que não somos, seguimos repletos das conseqüências do que somos.
            Primeiro foram os gringos que viviam a nos explorar. Por mais de trezentos anos nos levaram as riquezas que embelezam seus palácios. Uma nação inteira amofinou culturalmente e cientificamente ante a desnecessidade do trabalho. Servimo-lhe de fonte da riqueza que não se sustenta e – pior! – aprendemos com eles tudo sobre tal atividade. Com eles aprendemos o incesto de, no exercício do poder, aceitar “presentes” dos particulares, como fez o primeiro Imperador da Quinta da Boa Vista quando aceitou do maior traficante de escravos da colônia o próprio castelo imperial.
            Depois, os militares perseguiram nossos comunistas, que queriam nos levar à ditadura do proletariado após aprender sobre matar gente nos confins do mundo e aqui pertinho mesmo, e deram sumiço numa penca de gente inocente, ainda que em nada se locupletassem à frente do poder.
            Em seguida viramos “democracia”, e esta acabou por catapultar nossas piores idéias e nossos piores homens. Por isso Aristóteles a considerava uma forma corrompida de governo. Quando uma sociedade não alcança como um todo o grau de caráter mais elevado, a democracia vem para ratificar as más práticas dos piores caracteres.
            Mazelas não são seres viventes. Mazelas são vícios, defeitos, idéias sabidamente nefastas, o pior do pior. Pois as nossas adquiriram uma “mind of its own”, como diriam os cavalheiros ingleses, nossos mais fieis aliados e protetores do passado. Elas persistem em  nosso meio, se preferem a versão da frase inglesa, ou são o resultado da presença constante dos piores caracteres em todas as esferas do poder.
            O que ocorre no IJF, por exemplo – e aqui vou eu em minha derradeira obsessão – não ocorre no IJF. Não sei se me entendem. O que lá ocorre é o resultado final de nossa “democracia”. Dirá alguém: é o resultado de nossa “frágil” democracia. Pergunto: que diabos significa “frágil democracia”? Respondo: é a democracia do povo mau caráter. Frágil democracia é apenas o eufemismo. De fato, vivemos imersos em eufemismos. Neles dormimos em paz.
            Contrapondo-se à nossa “frágil” democracia está a nossa ditadura branca. Ou somos uma, ou somos a outra, ou somos ambas. Diria que somos ambas. Melhor. Diria que nossa “frágil” democracia insiste em manter nossa branca ditadura, ao passo que esta persiste mantendo aquela. Diante de tal cenário, o que nos resta? Quantos séculos serão necessários para que o cidadão comum jogue o lixo ao cesto apropriado? Direi numa única palavra: até que venha a guerra.
            Deve haver mais de um imbecil que dirá que prego a guerra entre irmãos. Não é o caso, asseguro. Nem mesmo a guerra entre esta nação e outra defendo. Apenas afirmo que, enquanto não vier a guerra que nos imporá o sofrimento geral como nação, não seremos uma nação.
            Se o imbecil quiser, dirá que anseio o terremoto de nove graus, e eu direi que tal abalo que afetasse nossos mais de oito milhões de quilômetros quadrados seria uma hecatombe onde todo o planeta seria afetado, e que assim não nos libertaríamos de nossos males essenciais. Uma tragédia nossa, exclusivamente nossa, se impõe. Também o terremoto exclusivo do Piauí só serviria a nos condoer de nossos já pobres irmãos. Já o de São Paulo nos tornaria, nós e a nossos conterrâneos piauienses, ainda mais pobres posto que a branca ditadura se apressasse a salvar nosso grande centro industrial e financeiro, razão do “empenamento” do país.
            Quem salvaria o Piauí? Direi. Salvariam o Piauí os brasileiros de bom coração, enviando doações para os desabrigados e doentes, bem como os brasileiros de maus bofes em busca de seus dividendos políticos e talvez financeiros.
            Assim, eis a grande e triste verdade: a guerra é nossa única saída. Ainda assim perguntará o imbecil: por que a guerra? E lhe responderei com outra expressão inglesa que tudo resume: “no pain, no gain”. E repito: só nosso sofrimento geral como nação, com os cadáveres de nossos filhos sepultos em cemitério militar, nos levará ao real nível de nação respeitável.
            Daqui de onde estou, longe do país, leio sobre o câncer que o corrói, e chego a pensar, sonhar, que tal mundo só virtualmente existe. Daqui de onde estou me convenço: morrer longe de tudo torna a dor quase inexistente, como um sonho ruim que se tem às vezes.
            Ao regresso tudo será como antes.

Londres, maio de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

O pior mal é o que não existe

Certo ou errado? O que é certo? O que é errado? Depende. Depende de quê? Depende com o que se compara, eis a verdade. Mas, existirá o padrão absoluto, ante o qual são provados todos e todas as coisas? Certamente que sim. Há as coisas Superiores e as outras coisas. Usar padrões e parâmetros menores levará sempre à incompatibilidade com o que é Superior. Por isso cresce e se alastra a noção de que não há o Padrão Superior; porque por ele estamos todos errados.
            Não queremos estar errados. Não nos admitimos errados. Não me sai da memória a história que Dale Carnegie conta no primeiro capítulo de seu livro Como fazer amigos e influenciar pessoas, sobre a caçada ao assassino apelidado “Two Gun” em New York City, em maio de 1931. Two Gun era um assassino brutal e impiedoso. Ele escreveu sobre si mesmo, numa carta endereçada “a quem possa interessar”: -“Debaixo do meu casaco há um coração cansado, mas bondoso – um coração incapaz de fazer mal a qualquer pessoa.” Condenado à cadeira elétrica, ao chegar para sua execução afirmou: -“Isto é o que consegui por matar pessoas?" E justificou-se: -"É o que consegui por defender-me.”
            Da mesma forma, pululam hoje em dia as defesas sem parâmetros e as justificativas mais espantosas e absurdas. Dessa forma, cada um se julga livre e desimpedido de faltas. Diria até que não há mais faltas, não há mais crimes, não há mais moral, não há mais o mal, não há mais o bem. O “bem” e a “moral” são “burgueses”. Não mais existindo nada disso, tudo é permitido, tudo é atenuado, tudo se justifica, e não há que se pensar em punir. Mesmo os chamados “homens de bem” estão a transigir e a negociar com o erro.
“Façamos uma concessão”, dizem; ou “não existiu tal crime”. A justiça encheu-se de brechas e os bandidos – há bandidos? – legislam. Multiplicam-se os fariseus nos fóruns, e vendem-se por dá cá aquela palha. Os poderes de independentes nada têm; trocam-se abertamente em favores de comadres. Seus homens e mulheres confraternizam-se em festas e saraus, quando deveriam se comportar com frugalidade, circunspecção e discrição. Nem de edipiana poderíamos classificar sua relação, posto que na tragédia sofocliana o filho matasse o pai e desposasse a própria mãe sem o saber. O incesto dos poderes é tanto mais vergonhoso quanto mais se percebe o zelo que têm por seu comportamento inadequado e detestável.
Nada mais há de errado, e se não há nada a corrigir, estamos muito bem, obrigado. Só o que é perfeito não muda. Atingimos a perfeição, não há o que mudar. Mesmo os que se dizem profetas do Deus Altíssimo – há Deus? – dominam o povo para seus mais malignos propósitos e acabam por demonstrar às mentes mais “esclarecidas” o Deus que adoram como um Ser de caráter despótico e cruel.
O que pensamos? Pensamos que há, sim, algo errado, mas não conosco. Os sofrimentos pelos quais passamos não são obras nossas, nem conseqüências de nossas más obras. Ademais, se não há o mal absoluto há, pelo menos, o mal temporário. Este, expiável em vidas e vidas e vidas, há de findar à perfeição, quando seremos perfeitos. O mal menor, o mal do dia a dia, não é fruto de nada que fiz. Sofremos, apenas e provavelmente, devido ao outro. Nem queria me aproximar de uma afirmação sartriana, que me pareceria inevitável agora, e que viria bem a calhar.
No dia-a-dia o sofrimento comporta um referencial: - o outro. O outro que nos faz infelizes é o nosso carma, o nosso inferno, a nossa dor. Nem me refiro à dor do apartamento na morte, mas à dor do apartamento em vida. E nem falemos do apartamento total, inadiável e irremediável. Basta o aumento mínimo da distância natural entre dois seres que se prezam, e já haverá choro. O aumento da distância é apenas uma figura de linguagem, uma abstração, um onírico devaneio, baseada na sensação de perda iminente ou provável. O que não é provável nessa vida? Tudo, enfim.
Também o futuro faz sofrer quando uma prévia curta distância se transforma numa outra milimetricamente maior. Chega-se a pensar que os postulados newtonianos vieram a fazer sofrer. Não queremos mudar, e o distanciar-se é mover-se com o passar do tempo, é mudar a posição relativa. Que o tempo, essa grandeza terrena, congele e cristalize o prazer; não mais transcorra para que não mude a distância. Mas, por que temer o passar do tempo e o mudar da distância se somos perfeitos e não necessitamos evoluir? Muda a distância e o tempo, e não há por que mudarmos.
Por que seria necessária mais de uma vida para tantas e tantas dores? Não chorou Cristo, o Filho de Deus, à morte de Lázaro, seu amigo? Não se angustiou a Majestade dos Céus, em Seus instantes finais, ante o distanciamento do Pai? Não se irou o Rei dos Reis à invasão de Seu templo? Não muda Deus, que é perfeito. Não muda Sua Lei, que é perfeita.
Tolos somos nós, que sofremos por mal pensar, por mal conhecer e por mal saber que existe o mal. Por que se nega a perfeição da Norma do caráter? Por bom motivo é que não seria.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O mundo vai acabar

Devem-me julgar um mitômano por tanto dizer que não leio jornais, ao mesmo tempo em que tanto comento sobre suas matérias.
            O tempo é curto, não há tempo para ler bobagens. Então, eis a verdade: folheio os jornais. Depois da maturidade é possível deduzir o que vem embutido em suas manchetes e nos títulos das matérias. Com certa prática e bagagem de anos, fica fácil. É o que faço, é o que tenho feito.
            No O Povo de ontem, em seu caderno Ciência e saúde uma matéria me chamou a atenção e por isso resolvi lê-la. O título: “O mundo vai acabar. Daqui a cinco bilhões de anos!!!”. Poderá alguém estranhar o ponto a separar essas duas sentenças que têm a aparência de ser uma só. Mas estava escrito assim mesmo. E eram três os pontos de exclamação ao final, acreditem. Era assim mesmo como estou a mostrar, repito.
            O autor, o senhor Vitor Alencar Alves, aparentemente um jovem adulto entre vinte e vinte e cinco, é estudante de Física pela Universidade Federal do Ceará e “estuda astronomia desde os nove anos de idade”.
            Diz ele dos diversos mitos e teorias sobre o fim do mundo e termina por dizer que “entre as teorias que a humanidade já lançou, a única que é possível de certezas científicas” é a que trata da morte de nosso Sol, daqui a 4,5 bilhões de anos.
            Terminada a leitura, me angustiava a dúvida cruel e dilacerante: o Sol vai morrer daqui a 4,5 bilhões de anos, como ele arrematou ao final, ou daqui a cinco bilhões de anos, como estava estampado ao título? Quinhentos milhões de anos não são quinhentos dias, nem quinhentos meses, nem quinhentos anos! É uma diferença brutal, hão de concordar. E cá com meus botões matutava: se é uma certeza científica, que variáveis ou influências conspiram para permitir tamanha diferença nos cálculos? Concluí o óbvio – não há tanta certeza assim como diz meu jovem escritor.
            Mas o que mais me chamou a atenção foi uma das teorias que ele comentou. Diz ele o seguinte: “Outra teoria que se baseia na interpretação da Bíblia foi a do fazendeiro William Miller que, após vários anos estudando o livro sagrado do Cristianismo, concluiu ser possível estimar a data do fim dos tempos e afirmar que esta seria entre 21  de março de 1843 a 21 de março de 1844”. A outra teoria que ele citara antes nem vale a pena explicitar posto que não se encontre na Bíblia.
            O meu jovem estudante de Física parece não saber que os métodos de datação radiométricos e incrementais utilizados para medir a idade do planeta Terra e outras coisas mais, por exemplo, estão todos incorretos e repletos de pressupostos que lhes invalidam como confiáveis. Os estudos de desintegração nuclear acelerada, que pretendem estudar a origem e a quantidade do gás hélio na atmosfera terrestre, revelam o que parece ser a verdade científica incontestável – o planeta não tem os 4,5 bilhões de anos que lhe são atribuídos.  Ele teria entre nove mil e dez mil, no máximo 14 mil anos. (Como tudo começou, de Adauto Lourenço, Capítulo 6: A origem dos bilhões de anos – métodos de datação)
            Voltemos à “teoria” do senhor Miller.
            O senhor Miller encontrou no livro de Daniel, do Velho Testamento, em seu capítulo 8, versos 13 e 14 a profecia que indica o tempo do fim, lhe revelada pelo próprio anjo Gabriel a mando de Deus. Diz a profecia: “Depois, ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: Até quando durará a visão do sacrifício diário, e da transgressão assoladora, visão na qual é entregue o santuário e o exército, a fim de serem pisados? Ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado.”
            O anjo insiste em dizer a Daniel do que trata a visão: “Entende, filho do homem, pois esta visão se refere ao tempo do fim.” (verso 17) Mais insistentemente: “Eis que te farei saber o que há de acontecer no último tempo da ira, porque esta visão se refere ao tempo determinado do fim.” (verso 19) E mais na frente conclui, sem deixar dúvidas: “A visão da tarde e da manhã, que foi dita, é verdadeira; tu, porém, preserva a visão, porque se refere a dias ainda mui distantes.” (verso 26) Daniel adoeceu e não entendia a visão. (verso 27)
            Dias depois voltou o anjo para explicar a Daniel quando se deveria começar a contar o período de dois mil e trezentos anos, quando haveria a purificação do santuário. E disse: “Daniel, agora, saí para fazer-te entender o sentido.” (capítulo 9, verso 22) Disse mais o anjo a Daniel ao capítulo 9, verso 25: “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém...” A ordem para reedificar e reconstruir Jerusalém saiu no ano 457 a.C. por Artaxerxes, rei da Pérsia (livro de Esdras, capítulo 7, versos 12 a 26)
            Assim, no outono de 1844 era esperado o retorno de Cristo para a ressurreição de todos e o resgate dos remidos, pois se acreditou que o santuário de que falava a profecia era a Terra. Passou-se o período indicado e nada aconteceu. Depois de estudos bíblicos referentes à questão do santuário, descobriram que o santuário a que a profecia se referia era o Santuário Celestial, do qual o terrestre, construído por Salomão, seria uma cópia fiel, com todo o seu cerimonial e serviços sagrados, dentre os quais a purificação. Em suma: em 1844 Cristo entrou no Lugar Santíssimo daquele Santuário e passou a intervir, através do juízo investigativo, para a purificação do mesmo. O dia de Sua volta só é do conhecimento de Deus.  
            Assim, dito isso, os estudos do senhor Miller não são uma “teoria” escatológica como o é a morte de nosso Sol. Seus estudos, em que pese a decepção inicial experimentada, causaram um grande movimento religioso mundial à época e levou à renovação de esperanças até então perdidas.
            Hoje surge uma ciência, o criacionismo científico, que usa as verdades científicas negadas e não divulgadas, mas que provam a inviabilidade do evolucionismo e as provas cabais da existência do Criador e da obra da Criação. Não é o momento de permitir que “crianças” empolgadas com a falsa ciência dissertem sobre assunto da mais alta relevância e seriedade: o destino de cada um de nós.

sábado, 7 de maio de 2011

O brasileiro - vítima e carrasco de si mesmo

Foi com tristeza que li a matéria dando conta da saída do senhor Alex Mont’Alverne do mais elevado posto da secretaria da saúde do município de Fortaleza. Não se deve tripudiar sobre o insucesso de outrem, ainda que seja alguém que consideramos incompetente. De fato, no que se refere àqueles que gerenciam o que é público, devemos sempre torcer por seu sucesso.
Só os que apreciam a autoflagelação se deleitam com o fracasso de um gestor público. Seu fracasso representa o fracasso de todos. O gestor é um administrador. Não será mais o vereador, o deputado, o senador. Ainda que tenha sido um mau político, será também mau gestor? Se mau político, mas técnico competente, tem-se boas possibilidades; se mau político e mau técnico, ou não-técnico, estará a coisa pública entregue aos lobos e em maus lençóis.
O senhor Mont’Alverne é médico. Foi um bom gestor? Não sei. Sei que foi incompetente apenas, e aqui não há tom pejorativo, intenção de denegrir a imagem do homem. Há apenas o reconhecimento de que ele não teve competência para lidar com os graves problemas que enfrenta a saúde de Fortaleza, quaisquer que sejam suas causas. Direi apenas que eu não assumiria este cargo por dinheiro algum. Suas causas são diversas e fora do alcance da influência do gestor. Quem quer que seja ele,o novíssimo gestor, já estará fadado ao fracasso.
Ele atribuiu sua saída a “problemas de saúde”, e teve o cuidado de negar veementemente que tenham sido “desgastes” com o executivo municipal a causa de sua renúncia, embora reconheça que sua administração tenha tido muitos “problemas”.
Sempre se troca o gestor quando o problema se mostra “insolúvel” dentro de sua esfera de atuação. Trocando-se o homem e mantendo-se as causas, não se pode esperar mudanças no cenário. Mas é exatamente isso que se faz. O novo homem – ou mulher – inspira um sentimento geral de esperanças, sempre infundadas. As causas estão lá, permanecem lá, sobre elas nada atua, nada se contrapõe. Como, então, esperar mudanças?
Assim, os “problemas” da administração a que se refere o senhor Mont’Alverne não são de sua administração; são da administração de todo o país. Tudo está assentado em problemas que se iniciam em Brasília, passam pelos governos estaduais, ganham corpo nas várias pastas e vêm estourar ao colo do gestor municipal de saúde. Assim, disse ele que Fortaleza gastou 150 milhões de reais a mais em saúde do que manda a Constituição. O diabo é que a Constituição não previu um caos na educação, na segurança pública, no trânsito, na justiça, na política, etc. etc. etc. A causa do caos na saúde de Fortaleza é o caos no resto. O caos no resto é o mau brasileiro, é a maneira de fazer política do brasileiro, é o mau caráter do brasileiro.
Os gurus ensinam que há que primeiro ser para somente depois ter. O brasileiro quer ter sem ser. O brasileiro quer o dado pelo governo, e o governo quer acabar com a pobreza por decreto. Enquanto for mau caráter, o brasileiro jamais terá de fato. Estão aí a divulgar que o brasileiro agora pode viajar, pode ter carro, pode ter casa, pode ter o que quiser porque o governo ajeitou a economia do país. Pergunto: e daí?
O brasileiro não mudou em nada. Sua essência permanece contaminada pelo espírito individualista, pela mentalidade paternalista, pela visão míope da importância do caráter individual na construção de uma nação, e até pela falta de espírito de corpo, embora viceje o nocivo corporativismo. O brasileiro cultiva o personalismo em troca do institucionalismo, e seu funcionamento social se dá por meio de favores e trocas pessoais. O sistema não funciona porque as instituições não funcionam, mas tudo acontece de uma forma ou de outra. Negociamos tudo, do voto ao terrorista estrangeiro.
O verdadeiro caos é perceber que tudo isso só se amplia, só se alastra e – pior! – as crianças estão imersas nesse “modelo” de funcionamento, nessa maneira de ser, nesse caldo cristalizante que molda o novo indivíduo. Há ainda uma plena e total consciência de tudo. Não mais somos vítimas de uma praga alienante. O discurso que versa sobre nossa ignorância foi por terra, ruiu há tempos. Somos sabedores de tudo. Não há mais “coitados” e pobrezinhos, os antigos puros manipuláveis. Venceu o grande canalha, o canalha-mor das entranhas do brasileiro. Temos agora o que se deixa manipular em pleno gozo de suas faculdades mentais.
Por tudo isso, vamos dar a César o que é de César. O senhor Alex Mont’Alverne foi mais vítima do que carrasco e foi, ao mesmo tempo, mais carrasco do que vítima. Como discernir? Muito fácil. Ele é como todos nós brasileiros – vítimas e carrascos de si mesmos.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Os picas-grossas e o bicho das meninas

Os números são intrigantes. Aliás, os números não mentem. Estive vendo as estatísticas de meus leitores e descobri o que para muitos parecerá uma piada incontável em salões de virtuosas senhoras e senhores fariseus.
            O texto mais lido desde que o blog foi criado ao final de janeiro do corrente foi “Amigos picas-grossas”, de 02.04.2011. Conclusão? O povo gosta de pica. Calma, calma. Quando digo que o povo gosta de pica quero dizer que gosta de assuntos relacionados ao tema, que os leitores gostam de sacanagem de uma maneira geral. Se for assim, meus leitores que leram o texto se decepcionaram. Pica-grossa é um termo usado para designar alguém importante. Assim, “Amigos picas-grossas” é um texto que fala de alguns amigos que são importantes. Não há sacanagem no texto.
            O segundo texto mais lido foi “Dá logo esse bicho, menina!”, de 17.03.2011, seguido de “Uma saudade sem fim”, de 01.03.2011, e “Paz e liberdade – ingredientes da felicidade”, de 04.03.2011. Parece que o povo gosta muito do “bicho” da menina, mas lembro que o primeiro mais lido tem uma vantagem de mais de 20% sobre o segundo. Insisto: o povo gosta mesmo é de pica. Não sou eu quem diz, são os números. Alguém aí contesta? Se contestar, há de apresentar uma justificativa que explique de outra forma.
            O segundo texto mais lido é o arremate final da análise de um fluxograma que correu na rede mundial de computadores. Nele explica-se o que uma mulher que quer dar tem de fazer para dar. Dar? É isso mesmo. Dar. Explica-se então o porquê de tanta gente se interessar no tema.
            Contudo, o “bicho” da menina ficou praticamente empatado com outros dois textos que falam de saudade, paz, liberdade, felicidade. Conclui-se que o que mais se deseja na vida depois de pica-grossa é – estou sendo nada científico – o “bicho” da menina associado a paz, liberdade e felicidade. A saudade é um tema sempre poético e daí a atração que exerce na mente e no coração das pessoas. No “Uma saudade sem fim” discorro sobre o encontro inesperado, prazeroso e saudoso que tive com a rua em que morei por muitos anos em minha infância. Para a frustração de muitos ele não versa sobre a saudade do “bicho” de menina nenhuma. Fiquem sossegados.
            Os temas políticos e afins são menos apreciados, creio que tendo em vista o descrédito e o estilo populista de nossos homens públicos. Eu mesmo acabo de cancelar assinaturas de revistas de grande circulação para não me aborrecer com o que leio. Nada há de novo no reino da Dinamarca. Nunca há.
            Os temas relacionados ao Instituto Dr. José Frota são apreciados pelos desgraçados que labutam naquela casa de saúde, talvez porque os una na sorte comum do presenciar o descaso e a incompetência na gestão da coisa pública. O uso do adjetivo “desgraçado” é apenas um estilo de humor negro. Creio no heroísmo de todos nós que ali cumprimos a missão de salvar jovens vidas. Salvá-las, de fato, resulta na salvação de projetos e sonhos, posto que as jovens vidas deles estão repletas.  
            E assim eu poderia me demorar a analisar a resposta de meus leitores a temas e temas. Quis apenas fazer uma breve reflexão, e um teste. Com o título deste artigo provarei o que já ficou claro acima – a predileção da maioria pelo tema picante, já anunciado ao cabeçalho. Daqui a uns poucos meses porei todos a par do resultado. Aguardem.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Jogo político - uma leitura

Analisemos uma matéria do jornal O Povo de hoje, em meio ao último incêndio do IJF. A propósito, corrijamos – não houve incêndio. O que houve, a despeito da negação de alguns, foi um curto-circuito e possivelmente a queima de fios e seus revestimentos, seguidos de fumaça e apagão.
            Dizia o Casoba que hoje em dia não mais se infarta. Antes do dano ao músculo aborta-se o evento. O que é o evento? Resposta: é o dano ao músculo. Hoje há mais coronárias do que músculos doentes. Estão aí os stents no peito de muitos a comprovar.
            Pois diz o Aurélio sobre incêndio: “fogo de grandes proporções que se propaga destruindo ou danificando tudo que atinge”. Conclusão óbvia, para o desespero dos arautos do já vigente Armagedom: não houve incêndio no IJF. E acrescento, para os mesmos arautos – o curto pode, eventualmente, ser a causa de um incêndio. Digamos, para concluir, que a fiação do hospital são as coronárias, ao passo que todo o resto é o músculo. Estão ruins as coronárias do IJF, o que é uma ameaça constante ao seu músculo. Fica perfeito assim, e bem mais próximo da verdade. Aliás, a maior causa da perda da razão em uma acusação é o acrescentar à verdade uma desnecessária mentira.
            Dito tudo isso, passo à reportagem do O Povo. Título da matéria: “Luizianne volta em 2014?” Tudo começou quando o PT nacional trouxe a público a possibilidade de a excelentíssima prefeita de Fortaleza ser a candidata do partido ao governo do estado em 2014. O Ronivaldo Maia, vereador da base da prefeita, foi logo assumindo que ela é “candidatíssima” posto que “vai terminar bem o mandato, com um nível de aprovação razoável”.
Até há pouco eu pensava cá com meus botões. De uns tempos para cá passei a pensar lá com os botões alheios. Por quê? Porque o eleitor não tem um pingo de juízo. Ora, eu moro no Meireles, sou a elite, os vermelhinhos me detestam. Talvez também o povo me deteste. O que o povo faz quando da eleição? Vende o voto, ora bolas. (Não digam por aí que eu estou a espalhar que a candidata Luizianne Lins ao governo do Ceará vai comprar votos! Vejam lá!)
Na minha impressão e percepção a senhora Luizianne Lins não vai terminar bem o mandato nem tem um nível de aprovação “razoável”, seja lá o que queira dizer esse “razoável”. Mas, como acabo de dizer, essa é a minha impressão. Sei lá do povo! O povo é o povo, não tem cara, não tem carteira de identidade. Diz o Rubem Alves que o homem sozinho é virtuoso, e que quando vira povo, quando faz parte de um grupo, vira gangster. Quem há de eleger a futura candidata é o povo, não sou eu. Daí ser mais prudente analisar a situação pensando lá com os botões do povo.
Em que pese tudo isso, o Ronivaldo afirmou, perguntado sobre a reação da possível candidata à concorrência ao governo, que o assunto ainda não foi com ela debatido. E disparou: -“Acho que ela pensaria duas vezes”... Não sei se ponho aqui um ponto final ou uma exclamação. Optei pelas reticências. A reportagem não põe ponto algum. Põe uma vírgula seguida da palavra “apostou”. Em suma – o vereador aposta que a prefeita pensaria duas vezes antes de se candidatar ao governo. Parece-me haver contradição com o que disse acima. Quando dizemos que alguém vai pensar duas vezes antes de fazer algo é porque estamos certos de que receia fazer, não quer fazer, ou sabe que, se fizer, pode se dar mal. Qual será a razão no caso da prefeita?
O deputado federal José Guimarães, tido como homem de reputação ilibada e, pelo jeito, nada bobo sobre o jogo político, considerou o ventilar o assunto “um desserviço, coisa de quem não tem juízo”. Candidatura lançada muito cedo mostra toda a sua vulnerabilidade, inda mais em se tratando de nossa ilustre prefeita. Parece que o deputado Guimarães concorda comigo quanto à sua impopularidade e talvez quanto à gestão aparentemente desastrosa.
Já o governo Cid, na pessoa de seu irmão e chefe de gabinete Ivo Gomes, concorda comigo quando disse, perguntado sobre a eventual candidatura da prefeita, que tudo não passava de uma retórica do PT nacional para dar força hoje à chefe do executivo municipal, “cuja popularidade está ‘fragilizada’”. Parece que estão tentando ajudar à senhora Luizianne Lins demonstrando-lhe apreço dentro do partido, o mesmo que a abandonou nas eleições há cinco ou seis anos. O partido apoiaria de verdade a sua candidatura ao governo do estado após essa gestão “razoável”? O senhor Ivo Gomes acha que é só um apoio por agora, de mentirinha, para ver se sua popularidade avança.
O diabo é que ele, quando perguntado se ela reuniria condições de governar o estado, respondeu: -“Se ela tiver mais de 30 anos e estiver em dia com a justiça eleitoral...”, e saiu a rir-se. Quero crer que o homem quis dizer que no jogo político tudo é possível, mesmo a senhora Luizianne Lins vir a ser não só a candidata a, mas a primeira governadora do estado do Ceará.
Em política não basta pensar lá com os botões dos outros; deve-se pensar com os botões dos políticos dentro do imenso tabuleiro de seu jogo. Acho que já estou começando a aprender.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Dia de cão

Não sei se acontece com outros blogueiros, mas descobri o inusitado – sou lido em terras distantes, overseas, depois de onde o vento faz a curva e, diria até, em Bagdá e para lá de Bagdá. Senão vejamos: Estados Unidos, Canadá, Holanda, Alemanha, Hungria, Espanha, Portugal, França, Suíça, Ucrânia, Moçambique, Irã e Vietnã, em todos esses países tenho leitores. É verdade que tenho amigos em alguns deles, mas não na maioria. Serão brasileiros vivendo longe do solo pátrio.
            Vejam como é o mundo globalizado. Estamos aqui e estamos ali. Mataram o Bin Laden e parece que foi dentro de nossa casa. Os tiros de Realengo provocam pesadelos na Groenlândia. Os tsunamis e tremores japoneses sacodem nossos varais e enlameiam nossas praias. Assim é hoje em dia. Dizia ontem o Leonardo Boff, em sua coluna em jornal local, que a globalização trouxe efeitos colaterais inesperados, dentre os quais os sofrimentos de além-mar, notadamente os da esfera político-ideológica. Está certíssimo o senhor Boff.
            Cá estou a cruzar mais de um oceano com essas parcas letras de meu rosário catártico. Conto fatos do dia a dia dos outros e de meus próprios. Falo das angústias gerais e particulares, dos sonhos comunitários e solitários, das impressões da vida na única alma que conheço, a minha própria. E – aplausos! – quantos dirão que não conhecem a si mesmos! Sou digno de uma consulta psicológica. Ou de uma consulta parapsicológica. Tenho alguns amigos que me aconselhariam a primeira, ao passo que tenho outros amigos que me cogitariam a segunda. Eu sigo na firme convicção de que nem uma nem outra me servem de nada.
            Ontem foi um dia singular. A cidade parecia um completo caos. Fui de um hospital a outro colhendo as tragédias da saúde local. Em um deles o incêndio da noite anterior fizera uma certeza – o caos estabelecido. Para completar, logo ao início daquela manhã ouviu-se um estouro como o de uma bomba lá mesmo, no hospital do incêndio. Eu estava na máquina do banco quando aconteceu. Apagaram-se todas as luzes e as pessoas que estavam naquele pavimento saíram apressadas para a rua, e quase se instala o pânico. Cinco segundos depois o gerador entrou e restabeleceu a iluminação mínima. O centro cirúrgico fora interditado e todas as operações programadas para o dia haviam sido canceladas.
            As chuvas, que se prolongavam desde a noite anterior, contribuíram para deixar o trânsito confuso e travado. Um carro-forte atropelou dois motociclistas e instalou-se no entorno do local do acidente uma operação de guerra. Carros e motociclistas da polícia bloquearam as ruas e desviaram o tráfego. A preocupação era com o conteúdo do carro-forte. Perguntava-se: -“Foi assalto? Foi assalto?” Ninguém quis saber da saúde dos acidentados, se haviam morrido, se muito se machucaram. Queriam saber do dinheiro. Nenhuma ambulância no local, muitos policiais armados até os dentes.
            No outro hospital, cuja emergência invade o seu belo hall de entrada, os cirurgiões de plantão tiveram de dar conta de uma carga extra de serviço. Receberam o cidadão que fora vítima de um traumatismo abdominal fechado e o operaram imediatamente para lhe estancar uma hemorragia exsangüinante. O hospital do incêndio, que seria o hospital mais adequado para este paciente, estava com o centro cirúrgico fechado justamente por conta do fogo que quase o consome junto com os doentes.
            Quando chego ao centro cirúrgico do segundo hospital, o controlista do vestuário me avisa: -“Faltam propés temporariamente, mas pode entrar assim mesmo.” Os propés são uma proteção do centro cirúrgico contra os calçados que vêm de fora. São usados para manter o lugar o mais limpo possível. Então, temporariamente o ambiente se tornou mais propício à transmissão de infecções aos pacientes lá operados. Mas só temporariamente. Se deles podemos prescindir temporariamente, das duas uma: ou eles não contribuem para combater infecções, ou contribuem e nós temporariamente acordamos em quebrar uma regra básica de segurança. Se em nada contribuem, por que continuamos a usá-los? Para gastar mais dinheiro?
            A minha sorte é que o almoço da Zena estava uma delícia. Tive de voltar ao hospital do incêndio, que é próximo do restaurante, para avaliar um paciente que chegara à enfermaria. Cheguei à casa às duas da tarde com dó dos que permaneceram nas ruas o resto do dia.

"Entrevista com Paulo Ziulkoski (parte 2)" - A verdade sobre os canalhas de Brasília

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"Entrevista com Paulo Ziulkoski" - A verdade sobre os canalhas de Brasília

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O cerco de fecha à incompetência generalizada

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Sem jeito que dê jeito

Há o dinheiro da festa, soube ontem. Conversando com dois amigos, prefeitos de cidades do interior, soube que há uma verba – ou vinda do ministério da cultura, ou vinda do ministério do turismo, não me recordo agora – destinada à realização das festas. Então, os rega-bofes promovidos pela prefeitura municipal de Fortaleza estão dentro da moralidade financeira.
            Explicaram-me, também, que o prefeito está impedido de dispor dessa verba, assim como de verba alocada a seu próprio propósito, para qualquer outra finalidade que não à que ela se destina. Assim, a prefeitura de Fortaleza não pode “desviar” a verba das festas a outra necessidade que não as festas. Segundo eles, a verba estaria disponível para esse fim. O prefeito a usa ou não, ponto final.
            Disseram-me mais, que o dinheiro para a saúde é pouco, mal dá para cobrir as despesas correntes básicas com a pasta; que os senhores governadores às vezes não a repassam; que mesmo o governo federal às vezes “segura” a verba da saúde; que a figura que mais caracterizaria um prefeito de cidade pobre é a de um esmoler; que os municípios ricos, com indústrias e coisas do tipo, nem se valem do dinheiro de Brasília – sua receita grossa vem da parte dos impostos que lhes é destinada pagos por essas empresas.
            Complementaram usando uma comparação com a educação. Os educadores conseguiram, através da criação de uma lei, um fornecimento regular de recursos alocados a partir de vários tributos já existentes. Não se necessitou criar nenhum novo imposto para financiar a educação. Outro detalhe do que disseram meus amigos me chamou a atenção: Brasília fica com 60% dos recursos arrecadados na forma de impostos.
            Sabe-se que Brasília é a cidade das negociatas e antro de corruptos. Lá as três esferas do poder tecem um emaranhado de relações promíscuas, enquanto “administram” essa montanha de dinheiro. Sabe-se também, posto que amplamente divulgado, que o Congresso Nacional é dos mais caros do mundo, se não o mais.
            Segundo um de meus amigos da alcaideria, pesquisa realizada no estado do Paraná, um dos mais ricos e escolarizados do país, descobriu que 40% de seus eleitores venderiam seu voto por dinheiro ou por qualquer tipo de “ajuda” que o político se dispusesse a prestar. Suspeita-se há algum tempo que o povo é canalha, e já o afirmei várias vezes, para o horror de algumas almas puras e menos sensíveis a essa visível realidade. Seria a pesquisa uma confirmação estatística de nossa triste condição? Agora imaginemos nós a união da fome com a vontade de comer, o povo e os políticos que compram votos.
            Tudo isso isenta nossa prefeita das evidências de incompetência? Óbvio que não. O que fica claro e notório é que ela se empenha em demasia a favor das festas, mas despreza, com as fuças mais lisas da paróquia, a questão da saúde em geral e do IJF em particular. Uma sugestão para a urgência que se configura? Ela vá a Brasília arrancar a verba de que a saúde de Fortaleza precisa para funcionar de forma minimamente aceitável. Outra sugestão? Parece que a verba da educação não está na justificativa para a persistente má educação do povo. Há algo errado aí. Seria alguma coisa a ver com o modelo proposto por Watson e Crick, como diria o meu querido e amado amigo Ivan Machado? Se o for, não há jeito que dê jeito.
            O mensageiro de meu prédio acaba de tocar a campainha. Veio me trazer uma encomenda. É o presente de aniversário antecipadamente enviado por minha amada amiga Naná. Tão logo o abro, encho-me de feliz espanto: o volume “Conversas que tive comigo”, de Nelson Mandela, com prefácio de Barack Obama. Na primeira página uma dedicatória: Para Zenani Zanethemba Nomasonto Mandela, sua netinha falecida aos 13 anos em acidente automobilístico ano passado; o compact disc de Stacey Kent intitulado “Raconte-moi...” A faixa inicial é “Les eaux de mars” (Águas de março); e uma miniatura da Torre Eiffel.
            Inté. Vou ao Mandela ao som de Stacey Kent.