segunda-feira, 20 de março de 2017

O AMIGO CONTRA OS INSETOS

          Corre o mês de março. Eis que me lembro que é o mês em que faz aniversário o meu amigo Fábio Motta. Sim, comemora-se a festiva data ao dia 23 do corrente. Digo “festiva data” e já me arrependo. E por quê?, perguntará o leitor. O arrependimento é um sentimento que nos assalta quando agimos de forma errada e nossa consciência nos aponta a culpa. Ora, seria errado me arrepender de considerar o dia do aniversário do amigo uma data festiva? Já expliquei inúmeras vezes, mas vamos lá.
                Ocorre que entra ano e sai ano e o Motta faz tudo da mesma forma. E o que faz ele? Resposta – tranca-se em si mesmo ao dia da festa. Vejam que não afirmei que o homem se tranca em casa, ou some, ou desliga todos os meios de comunicação que lhe permitam o alcance. Não. Repito para que não reste a dúvida – o homem tranca-se em si mesmo. Ou seja, tranca-se em casa, some, desliga tudo, e... não sai da cama. É tudo junto. É como se o homem estivesse morto. 
              Diz o poeta que “morrer é apenas não ser visto”. Pois fica evidente a vontade de morte do amigo. Arrisco-me até a dizer que a coisa piora a cada ano. Ano passado o homem sumiu por três dias. Penso que estava tão apegado ao leito de morte que ao erguer-se teve um surto de articulações congeladas. No toalete, olhando-se no espelho com as remelas nos cantos dos olhos, assemelhava-se a um figurante de “Epidemia de Zumbis”, ou de “A Volta dos Mortos-Vivos”. Por um momento, do alto de sua atual e interminável Síndrome de Peter Pan, julgou-se o ator principal de “Meu Namorado É Um Zumbi”. Outro dia escrevi que o pior suicida é o que não morre. Pois é isso – o pior suicida é o que não morre. 
          Assim, em poucos dias veremos o que nos reserva o homem para este ano de 2017. Arrisco um palpite. Diria que espera-se uma mudança radical em seu comportamento. E por quê? Porque agora ele é um surfista. Um surfista de marola, é verdade, mas ainda assim um surfista. Sim, o surf foi o divisor de águas, o ponto de inflexão, a razão de tudo o que é novo para o amigo, de modo que estou seriamente inclinado a duvidar que ele se negue a surfar no próximo 23. Insisto: da forma como (re)entrou na vida do homem, o surf tem sido o grande diferencial, o gatilho para a reversão desse comportamento deplorável. Enfim, alguma coisa boa restará desse hábito tão salutar. (Pode parecer que estou a propagar contradições, mas não há aqui contradição. É apenas uma aparente contradição.) 
          O surf afastou o homem de seus velhos amigos para aproximá-lo de hábitos saudáveis e de grupos de pessoas cujas vidas giram em torno desse esporte. Dito de outro modo, o amigo tornou-se parte de uma tribo. Nós, os amigos do tempo das fraldas e dos cueiros, fomos completamente alijados e violentamente distanciados do convívio desse impoluto varão vigoroso. Paciência. Nada se pode fazer quando a rejeição se apresenta friamente e cruamente. Os amigos comuns dirão que estou a manifestar, indisfarçadamente, meus ciúmes e direi que, não!, em absoluto! E direi que, sim!, são legítimos os ciúmes! Digam-me: – como poderei me conformar perder um amigo-irmão para uma "tribo"? Nada contra os indígenas, pelos quais declaro uma piedosa solidariedade. Até porque o termo "tribo" aqui empregado não é literal, mas uma figura de linguagem para designar um grupo que se aparta do "resto". Que seremos nós, os que somos "o resto"? Já me sinto o cocô a descer pelo grosso intestino ou o catarro a subir pela via aérea do fumante inveterado, a apostema da estafilococcia...
          Também, notem, falando assim fica a impressão que os antigos amigos são má influência ou estimulam uma vida de hábitos pouco saudáveis. Direi sem demora – nada está mais distante da verdade. A essa altura da jornada, cada um recebe a influência que se permite receber. Depois de certa idade as escolhas se apresentam diariamente. Está-se escolhendo a todo instante, a cada segundo. Paramos de escolher enquanto dormimos e, com efeito, até dormindo escolhemos, se acontecer de sonhar com a dúvida que nos assola. Penso comigo: – o amigo sonhou conosco e, em seu sonho-pesadelo,  éramos todos insetos, mosquitos da dengue ou do zica-vírus, enormes e gosmentos como no "A Mosca", de David Cronenberg, a vomitar sobre as pernas do amigo a gosma enzimática que derrete ossos. 
         Devo admitir: – se sonhasse isso de alguém, jogar-lhe-ia nas fuças uma baforada de Baygon ou de SBP, "terrível contra os insetos". Contra os insetos, viste Fábio Motta?

sábado, 18 de março de 2017

MAX GEHRINGER E O MARKETING MULTINÍVEL - SERÁ QUE ELE APRENDE?

Os amigos hão de lembrar o comentário que fiz há poucos dias sobre uma resposta que o Sr. Max Gehringer deu a uma leitora de “ÉPOCA”. Foi em sua edição anterior, há pouco mais de uma semana. Enviei o comentário ao Sr. Gehringer, que não me respondeu pessoalmente. Entretanto, creio que ele acabou por enviar-me sua resposta na última edição da revista de 10 de dezembro do corrente em sua coluna “Nossa Carreira”, à página 95. Uma senhora, chamada Laíssa, colocou a seguinte questão: -“Tenho 43 anos e formação superior. Mas sou recém-separada e sem experiência profissional (meu último emprego foi há 17 anos). Por onde devo começar a procurar uma oportunidade?” Ao que ele respondeu: -“Infelizmente, Laíssa, se você não conhece ninguém que possa recomendá-la para uma vaga, essa combinação de idade + inexperiência vai lhe trazer mais dissabores que alegrias se você for bater em portas de grandes empresas. Eu diria que há duas opções viáveis que você deve considerar. Uma é um concurso público. E outra é o marketing multinível – a venda direta de produtos de uma empresa ao cliente final. É uma atividade que não requer muito capital, cujo resultado dependerá APENAS de seu esforço e competência, e poderá não apenas lhe dar um fôlego financeiro, mas também ajudá-la a readquirir confiança profissional em si mesma etc. etc. etc.” (Grifos meus).
                Ficou claro por sua resposta que o Sr. Gehringer vê no marketing multinível, que eu prefiro chamar de Distribuição Interativa, uma opção de renda potencial às pessoas que envidam esforço e competência neste trabalho. Em suma, em nada diferente de qualquer atividade laborativa séria e honesta. Em suma ainda, qualquer atividade laborativa séria e honesta gerará um resultado. Com a Distribuição Interativa não é diferente. Com um detalhe importante: Distribuição Interativa, por formar uma rede de distribuição, pode gerar uma renda elevada e, o mais importante, mesmo cessado o trabalho feito para construí-la. Em outras palavras, cria-se uma renda residual ou renda passiva. Cria-se um ativo. Os contadores e economistas que me corrijam: ativo é tudo aquilo que põe dinheiro no teu bolso. Mais especificamente ainda: o ativo põe dinheiro no teu bolso sem trabalho. O trabalho que você tem é o de criá-lo!  O que quero dizer é que o resultado do trabalho em Distribuição Interativa, ou Marketing Multinível, pode ser bem melhor do que qualquer outro trabalho convencional. A renda passiva pode ser alcançada em poucos anos de trabalho e representa uma aposentadoria! Outro detalhe importantíssimo: em Distribuição Interativa deve-se ajudar outras pessoas a atingir esses resultados! Para ser franco, só se ganha dinheiro em Marketing Multinível se se levar os outros a ganhar dinheiro! Dito de outra forma: você só ganha dinheiro se os outros ganharem.
                A última frase do Sr. Gehringer é, talvez, a mais significativa de sua resposta, e merece um esclarecimento. Quando ele diz que a atividade de Marketing Multinível pode ajudar o indivíduo a readquirir confiança profissional em si mesmo ele deixa subentendido uma ferramenta poderosa de uma empresa séria de Marketing Multinível: um Sistema de Treinamento, ou de aperfeiçoamento pessoal. Robert Kiyosaki admoesta claramente que, antes de entrar para o negócio de Distribuição Interativa, deve-se procurar saber se a empresa à qual você se associa tem um Sistema de Treinamento voltado para o crescimento e aperfeiçoamento da pessoa. E desaconselha peremptoriamente a que se associe àquelas que não o têm. Os céticos quererão saber por quê. E lhes direi: Marketing Multinível é um negócio de pessoas. Muitas pessoas farão o negócio pelo simples prazer de estar com as pessoas que admiram, ou que lhes ensinam, ou que lhes ouvem, ou que lhes ajudam nas turbulências da vida. O Sistema de Treinamento lhes prepara para serem pessoas melhores de modo a atrair mais e mais pessoas para o seu negócio. Simples como dois e dois são quatro.
                Uma ressalva vem a calhar. Marketing Multinível não deve ser encarado como uma atividade de exceção. Pareceu-me que o Sr. Gehringer só a aconselha aos que estão sem oportunidades ou aos que estão “perdidos”. Não é verdade. Marketing Multinível pode ser o “plano B” de quem quer que seja.
                Para terminar, eu diria que Distribuição Interativa é um universo. Em que pese sua simplicidade matemática da geração da renda, que até uma criança de oito anos de idade entenderia, há tantos e tais meandros no Marketing Multinível que só os que não se deram o devido tempo não puderam vislumbrar.  Aconselho-os a que “percam” alguns poucos minutos para entendê-lo. Isso poderia desvendar uma oportunidade e um desafio inteiramente novo e excitante. A vida vale a pena ser vivida.
                De minha parte fico feliz em perceber que o Sr. Gehringer já sabe mais sobre Marketing Multinível. Se ele aprender mais sobre o assunto, em breve será consultor de empresários também.


Fernando Cavalcanti, 12.12.2007 

MAX GEHRINGER E O MARKETING MULTINÍVEL

Articulista  de “ÉPOCA” na coluna “NOSSA CARREIRA”, Max Gehringer recebeu a seguinte pergunta de uma senhora chamada Lisa, na última edição da revista, de 03 de dezembro de 2007: “Trabalho numa ONG e estou extremamente insatisfeita, porque não vejo perspectivas de crescimento. Estou em RH, mas não gosto da área. Quero mudar, mas não sei que setor ou atividade escolher. Já fiz orientação vocacional, mas não adiantou. O que eu faço?”
                O senhor Gehringer é comentarista corporativo e autor de oito livros sobre o mundo empresarial. Ele respondeu o seguinte: “Faça terapia, Lisa. Até que você descubra a razão de tanta insatisfação, não adianta mudar de empresa. Enquanto isso, sugiro que considere a possibilidade de trabalhar com marketing multinível (venda em domicílio). Embora essa seja uma atividade mais de curto prazo, que não constrói uma carreira, é algo que você poderá fazer a partir de sua casa, com horários flexíveis, que lhe garantirá uma remuneração decente até você encontrar seu rumo.  (Grifos e negritos meus)
                Acredito que a senhora Lisa deve ter ficado extremamente curiosa, e ao mesmo tempo confusa, sobre dois pontos da resposta do senhor Gehringer. Primeiro, por que uma atividade que garante uma remuneração decente não pode vir a ser uma carreira?  Segundo, por que a atividade de distribuição interativa, o mesmo marketing multinível, seria de curto prazo, já que é rentável?
                Acredito também que o senhor Gehringer tem muitos conhecimentos sobro o mundo corporativo, como é evidente em seu currículo. Quem não o conhece poderá ter o prazer assistindo ao Fantástico aos domingos. Entretanto, ele cometeu pelo menos um erro grosseiro em seus comentários, afora as dúvidas que suscitou. Distribuição Interativa, como prefiro chamar, não é, em absoluto, uma atividade que inclua vendas em domicílio. Como o nome sugere, há que se ter um forte relacionamento interpessoal entre o que vende e o que compra, e sempre se oferece, além de produtos a quem compra, a possibilidade e oportunidade de desenvolver a mesma atividade. Esta oferta inclui o apoio quase incondicional ao novo prospecto ou candidato, bastando para isso que ele assuma o compromisso de levar a sério o trabalho, já que quem convida não se torna seu chefe, mas seu sócio. Esse apoio contempla todos os conhecimentos e atividades didáticas que o prospecto necessita para exercer essa atividade, de forma a se tornar um profissional capaz no mundo do negócio de Marketing Multinível. Portanto, o sair de porta em porta não é uma técnica de vendas recomendada nem recomendável para o empresário de Distribuição Interativa. Os laços humanos de companheirismo, amizade e verdadeiro interesse no sucesso alheio são as características fundamentais do negócio de Distribuição Interativa. Essas características são a “cola” de um negócio bem-sucedido, rentável e consistente. São características e condições sem as quais simplesmente não se faz Marketing Multinível.
                Também, ao contrário do que afirma o senhor Gehringer, o empresário da atividade de Distribuição Interativa tem o potencial ilimitado de construir uma sólida, lucrativa e enriquecedora carreira. Como acontece em todas as atividades na vida, é apenas um potencial. Há que se pagar o preço. Como em tudo. Se quiser ser médico, pague-se o preço. Se quiser ser rico com Distribuição Interativa, pague-se o preço. Nada nasce feito. Há que se construir. Demanda aprendizado, tempo, estudo, fracassos. Quem não quiser aprender, se dar o devido tempo, estudar e se permitir fracassar para aprender com o fracasso, que procure um emprego.
                Distribuição Interativa é um revolucionário método de distribuição de produtos e bens de consumo aos consumidores. Pelas suas características, alguém já disse que é a socialização do capitalismo e da livre iniciativa. Por apresentar a mesma chance a todas as pessoas de várias classes sociais, diversos níveis culturais e de várias profissões tradicionais a que montem um negócio a partir de um investimento inicial mínimo e com custos mínimos como capital de giro, é que ela se torna atrativa e interessante. 
                O que me parece, para concluir, é que o senhor Gehringer é um excelente consultor... para empregados! Ele orienta, seguramente de forma correta, as pessoas que têm a mente de empregados. Ter a mente de empregado tem a ver visceralmente com a educação que as pessoas recebem sobre formas de ganhar dinheiro honestamente. A grande maioria das pessoas foi educada a ganhar dinheiro trabalhando para outras pessoas ou para o governo por um salário de paga. Desde grandes executivos (os Chief Executive Officer - CEO) com salários de cem mil a um milhão de reais/mês até um gari que ganha trezentos e cinqüenta reais/mês, é para essas pessoas que o senhor Gehringer discursa. Nada contra os garis! Eles são importantíssimos! Quem limparia essa sujeira se não existissem pessoas dispostas a fazer isso por esse salário? Ele ensina como ser um melhor empregado. Por isso não aconselhou à senhora Lisa a estudar com afinco e aprender sobre Marketing Multinível. Esta é uma atividade empresarial. Há que ter a mente de empreendedor para exercê-la. E não é todo mundo que foi empregado a vida inteira que estará disposto a mudar a sua mente e aprender a ganhar dinheiro de outra forma. Mesmo que esteja correndo o risco de ficar milionário. Isso o senhor Gehringer não saberia ensinar.


Fernando Cavalcanti, 03.12.2007