sexta-feira, 1 de julho de 2016

O MEU JARDIM (para Bella)

Plantei um jardim
De flores multicoloridas era o meu jardim.
Como globo de concreto era meu mundo antes dele
Onde o sol me queimava, onde a lua me entristecia
Sem em nada crer via o mundo girar
Incolor
Inodoro
Insosso
Silente
Mas eis que a terra, num cantinho assim perto de mim
Pulsava como se viva fosse
E havia as sementinhas que caíam como gotas de chuva
Do céu
E juntei-as na terra que com o ritmo do meu coração pulsava.
Com minhas lágrimas as nutri com água
E cresceram as flores por toda a terra naquele cantinho
Bem pertinho de mim.
Eram tão lindas e frágeis as flores
Que delas cuidei com todo o meu amor
Como se sem elas não mais vivesse
E a todas amei, como o meu jardim.
Eis que algumas morriam, não pude impedir
E à medida que morriam umas
Outras eu plantava
Para que não morresse o jardim.
Ainda que continuassem a morrer
Eu plantava, e regava, e acariciava
O jardim.
De modo que ele crescia, e crescia, e crescia...
E nasciam mais flores...
Jurei que mesmo que morressem algumas
Não morreria o jardim
Porque a morte é o inexorável de quem vive.
Ainda que não pudesse evitar as lágrimas pelas que feneciam,
Usei-as para nutrir as mudinhas que brotavam
Querendo nascer
Querendo viver.
E nasciam flores ainda mais lindas, e maiores, e mais perfumadas
E aprendi que um jardim vive das flores que nascem para substituir as que morrem
De modo que não morra o jardim...
Eis que um dia sonhei.
E no sonho eu subia nas asas de um anjo do Senhor
Que pairava sobre o meu jardim.
E só então pude ver de cima
Que o meu jardim tinha o teu rosto
E que meu lindo jardim era você.
E que, para viver,
Preciso cuidar de VOCÊ...