segunda-feira, 12 de junho de 2017

TODA ESSA GENTE... E NÓS

Ah, como roda rápido o tempo...!
Noutros tempos, o tempo era lerdo, uma lesma a se arrastar rente à parede, invisível à vista de todos. Naquele tempo não se justificava a pressa, não fazia nenhum sentido a velocidade. Correr pra quê? Olhávamos cada coisa durante quanto tempo quiséssemos, e esperávamos sem pressa porque havia tempo de vê-la em cada detalhe, de analisar cada pedaço, de perceber seus contrastes... Tudo corria conforme o tempo.
                Hoje, como roda rápido o tempo!
Sem demora passa o tempo, e com ele passamos nós, vamos nós; pouco vivemos porque ele já foi, já está ali, adiante, chegou antes de nós. E se não vamos, ficamos; nos abandonam porque ficamos; nos esquecem porque não mudamos para... pior. Sim, somos piores a cada quinze minutos, diria o Nelson. Não ir junto é como morrer, como se perder da multidão e ficar ao largo, no deserto da vida sem água e sem teto, condenado a ser a negação de (quase) tudo.
                Tudo é muito e o tempo é pouco. Muita gente, muita coisa; muita gente, muito (ou pouco) espaço; muita gente, muita dor; muita gente, muita morte; muita gente, muita festa; muita gente, muito bebê; muita gente, muita morte. Muita gente, pouco vovô e vovó; muita gente, pouco papai. Onde está mamãe? Muita gente, pouco eu; muita gente, pouca vida; muita gente, pouco amor...
Muita gente, pouco eu...
Muita gente; pouco VOCÊ.
Ou somos e estamos com essa gente, ou somos poucos, você e eu.
            Você e eu nada somos diante de tanta gente...