segunda-feira, 17 de julho de 2017

UM ROTUNDO E ESPESSO CANALHA

          S.C. é meu paciente do ambulatório. Já cá esteve duas vezes acompanhado de sua dedicada irmã. Eles vieram de Belém do Pará. Reconheci pelo sotaque, o plural das palavras com som de “sh”: doish, coisash, e por aí vai.
       Ele tem apenas 31 anos e já não tem rins. Perdeu-os para a doença hipertensiva grave e precoce. Faz diálise a cada “trêsh” dias. Já fez vários procedimentos para confecção de fístula arterio-venosa. Como ele é canhoto, começaram pelo lado esquerdo. Nenhum deu certo. Vários procedimentos no membro superior direito também falharam, o que acabou por exigir a colocação de uma prótese comunicando a artéria à veia.
         Certo dia, inchou-lhe o braço. O exame mostrou um estreitamento de mais de 90% da luz da veia proximal à fístula. A estenose é uma ameça à diálise. Se a estenose virar oclusão, adeus fístula. A solução é introduzir um cateter munido de um balão pela veia e dilatar o estreitamento. Providenciamos a guia de internamento para S.C.. Já se passaram quase dois meses. E por quê? Por que não há material, não tem cateter com balão próprios ao procedimento. Ele está a ponto de perder a fístula porque a Constituição “cidadã” é uma falácia, uma enganação, uma chacota de mau gosto. O gestor não paga o fornecedor, o fornecedor suspende o fornecimento.
           Dias atrás veio o ministro. Disse o que quis e o que não quis. Do alto de sua autoridade ignorante e diabólica, pôs a culpa do caos nos médicos e em todos os profissionais de saúde. A culpa é vossa, disse ele de nós. Os gestores estão exigindo o ponto biométrico dos profissionais de saúde. Certo dia, disse uma sumidade da cúpula administrativa do governo deste miserável e desgraçado Estado que os profissionais de saúde estariam “devendo” não sei quantas mil horas de trabalho ao povo, como se a causa do caos fosse o absenteísmo laboral dos profissionais. Em suma, na pele o profissional de saúde sente a opressão por parte das autoridades incompetentes e criminosas.
           Mais recentemente veio o Alexandre Garcia e expôs, no telejornal matutino, as entranhas do modus operandi do gestor incompetente, criminoso e opressor. De que adianta? De que adiantará? Fará alguma diferença? Não fará. E ainda se fala da opressão da “ditadura militar” que nunca existiu ou, melhor, só existiu para os guerrilheiros criminosos que queriam e planejavam implantar no país o mais falido, criminoso e desumano de todos os regimes já ideados pelo homem.
        O gestor é, antes de tudo, um rotundo e espesso canalha.