sexta-feira, 14 de setembro de 2012

"É mais contundente"

          Precisava desesperadamente de um cúmplice, de um companheiro de indignação em minha solitária dedignação. Olhava em volta e nada. Aqueles que se haviam mostrado, até então, sempre "aguerridos" ou se omitiam ou aparentemente se contentavam com o encaminhamento que o Superior Tribunal Federal tem dado ao julgamento dos réus do mensalão. Um deles escreveu na rede social: "Graças ao trabalho corajoso do procurador Roberto Gurgel, etc. etc. etc." E isso tendo eu postado em sua página o esclarecedor artigo do senhor Manoel Pastana, Procurador da República (http://www.manoelpastana.com.br/index.php/noticias/511-mensalao-o-que-poucos-sabem-e-o-brasil-deveria-saber.html).
          Embora tenha explicitado sua crença e anelo pela prisão do criminoso-mor, o encômio ao procurador Roberto Gurgel sugere que o amigo da rede social ainda ignora o texto do senhor Pastana; ou está apenas investindo em autopromoção e desprezando a suprema verdade. Seria um simulado agastamento, por assim dizer. 

          Prosseguia eu em minha solitária revolta quando resolvi enviar, eu mesmo, uma mensagem pessoal ao respeitável Procurador, o senhor Manoel Pastana. Queria dizer-lhe de minha admiração, de meu sentimento de humílimo respeito e reconhecimento por sua exuberante coragem. Sem muita vênia escrevi-lhe: "Parabenizo-o pela coragem, contundência e lucidez do artigo. Tornei-me fã. Tomei a liberdade de espalhá-lo na rede social. Forte abraço." E subscrevi-me. Imaginava se alguém mais teria tido a cachimônia da mesma atitude, e temia que houvesse uma massa crítica oculta de tácitos indignados. Massas críticas nem chegam a ser críticas se não se aglomeram em torno de si. Essa é uma dúvida que ainda persiste em mim.

          Não tardou mais de 24 horas e recebo a resposta do ilustre zeloso das leis de seu país. Disse-me em correspondência pessoal: "Prezado Fernando, obrigado pela mensagem. Grande abraço,

Manoel Pastana. (PS estou escrevendo outro artigo que deve ser publicado na semana que vem. É mais contundente.)" Concluí, então, e sem a menor sombra de dúvida, que estava diante do homem mais corajoso a respirar dentro deste vasto território de mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados. A pergunta que me fazia era precisamente a seguinte: pode haver algo ainda mais contundente e estarrecedor a ser revelado por este nobilíssimo e raro brasileiro, conhecedor das chagas e tumores da república? Se há, o que há de ser? 
          Em minha espessa ignorância supunha a ignorância alheia, a de tantos e tantos e tantos concidadãos perdidos em meio à avalanche de informações de origem as mais diversas, ansiosos e angustiados por não saber onde, afinal, estaria a verdade. Supunha também, e inevitavelmente, que um homem que luta a face exposta e olho no olho de seus poderosos e inescrupulosos adversários não deve estar a anunciar lorotas, inda mais tendo dito, no que me pareceu sua mais sublime manifestação de consciência da necessidade de cumprir uma missão perigosa e imperiosa, e, em que pese tal responsabilidade, de tranqüilidade em seu coração: "Nada inventei; tenho prova de tudo que afirmo."  
           Não sei se me regozijo ou se me entristeço com o que está por vir da pena do senhor Procurador. Penso que devo me regozijar e me entristecer ao mesmo tempo, como me sucedeu à leitura de seu primeiro artigo. Afinal, a verdade verdadeira está a brilhar, iluminando tantas consciências dela sedentas. Quem sabe daí nasça aquele gigantesco corpo de indignação que cresça Brasil afora e adentro, "contaminando" o bom brasileiro e promovendo a revolução de nossa consciência e de nossa moral? ultrajando nossa civilidade e nos revoltando a não mais se poder conter? Oxalá!