terça-feira, 5 de agosto de 2014

OZENAS DO PODER

​          Todos sabem que hoje se ri on-line, por escrito, usando-se cás e agás. Como se conversa por escrito, ri-se também por escrito. Há gargalhadas ferozes, e existem ainda aquelas risadas insossas e sem viço. Tudo por escrito e on-line, repito.
​          Aliás, faz-se quase tudo on-line: - faz-se sexo, compras, vendas, propaganda, cursos, etc. etc. etc. Ultimamente o que mais se faz on-line é mentir. Mas – pasmem! – esquece-se também on-line.  Sim! Na rede mundial de computadores dissemina-se o esquecimento, qualquer esquecimento. Vou tentar explicar, e já de antemão aviso: - não será fácil.
          É assim. Alguém, ou um grupo de “alguéns”, de tão apaixonado dissemina um rombo, uma lacuna na mente e na memória de milhões de pessoas. As pessoas, esses milhões delas, de tão atarefadas e empenhadas em suas vidas medíocres, estão agora com um oco em sua mente e simplesmente não se apercebem. Se lhes tirassem parte do cérebro numa lobotomia, não ficaria a cicatriz para lhes lembrar o ato. Nem anticonvulsivantes lhes seriam prescritos. Seria uma lobotomia silenciosa, sem rastro. De fato, dá no mesmo perder todo ou parte do cérebro, ou simplesmente não usá-lo.
          ​Nada contra se milhões de pessoas querem tirar o cérebro pelo nariz, como numa dessas inocentes corizas escarradas claras como água. Outros cérebros mais densos sairiam como verdadeiras ozenas.
          Ocorre que, ao perder parte do cérebro – há quem o perca quase que por inteiro –, perde-se também o homem. Nada contra que também se perca o homem. Quem quiser se perder, que apague suas lembranças e sua memória.
          ​Quem não desejar perder-se a si mesmo, que fique atento. Todo o cuidado é pouco porque as supostas mais brilhantes mentes são as que mais se encarregam da mutilação fatal. Vejam, por exemplo, o Saramago, o Dawkins, o Chávez, o Niemeyer e, mais recentemente, o Chico e o Gil. Abaixo de todos esses, outros e outros “intelectuais” e "sumidades" expressas e amplamente aceitas. Uma legião de cultos e amantes da democracia alinha-se para deflagrar o maior espirro de cérebros jamais visto, não sem antes terem, eles próprios, extirpado parte dos seus. Esqueceram-se. Não se lembram. E haja circunvoluções e giros a se perder em brancos e sedosos lenços de algodão!
​          Ninguém é perfeito, mas há que se cultivar e perseguir um mínimo de princípios básicos. Para o homem, nada é mais valioso do que a liberdade. Mesmo a saúde, tão cara ao homem, não é fundamental. De que vale ser saudável sem liberdade? Melhor uma tosse braba com liberdade a uma saúde de ferro sem ela. Ainda assim, dissemina-se o esquecimento desse princípio fundamental. E outros esquecimentos também grassam a galope. Todos os roubos, e dinheiros de origem desconhecida, e propinas, e tráficos, e enriquecimentos rápidos, e castelos, e conchavos entre imiscíveis de outrora, e desconhecimentos e, parece, até mesmo assassinatos foram esquecidos. Manifestou-se com ainda mais contundência nossa enorme propensão ao crime e ao delito nos altos círculos do poder.
​          Que pensar?, se as mais brilhantes mentes do país se curvam à súcia avassaladora? Esquecer também? Cegar? Não ver? Acreditar que tudo não passou de um pesadelo sem substrato na realidade? Tudo invenção? Aceitar que os fins – que não são lá esses balaios todos - justificam os meios? Ora, se o Dawkins e outros de seus comparsas insistem na evolução com gritantes evidências em contrário e ainda assim vende milhões de livros, lota platéias e é referenciado como a sumidade do momento, então tudo é possível. Não somente aqui se estão a esquecer as coisas. Se o Saramago morreu infligindo ao Senhor os maiores insultos e desdéns e ainda assim foi e ainda será por muito tempo comemorado e aplaudido, então tudo é possível. 
          Bem se vê que as massas são de tudo capazes. Nem falemos do Chico, do Gil e do Niemeyer, que esses são apenas passivos cúmplices de alto gabarito.

Fernando Cavalcanti, 22.10.2010