sexta-feira, 29 de abril de 2016

O DIABO SÃO OS FATOS...

Vou ao pai-dos-burros procurar o significado da palavra manipulação. Acho o seguinte: intervenção no desenvolvimento de determinado sistema ou processo, com vista à alteração de sua evolução natural. Pode ser também, verbalizando o substantivo, condicionar ou influenciar, geralmente em proveito próprio; e o que considero mais torpe na “arte” de manipular: adulterar, falsificar.
Os tempos atuais são difíceis, como é bem sabido de todo bom brasileiro, e o que mais se tem feito é manipular. O governo, por exemplo, manipula dados a torto e a direito, tentando dar a si mesmo credibilidade e competência, por exemplo.
Mas o diabo são os fatos. Os malditos fatos teimam em existir. O governo tem se utilizado de uma máxima de Nelson Rodrigues que dizia que, se os fatos não confirmam o que digo, então pior para os fatos. Como os fatos de nada se condoem, quem se condói é o povo, amargando desemprego e aumento dos preços.
Isso sem falar do enriquecimento fácil e rápido de agentes públicos ou de seus parentes, envolvidos até a alma em operações ilegais de recebimento ou transferência de dinheiro entre o que é público e o que é privado, tudo provado milimetricamente graças à evolução tecnológica capaz de demonstrar a rota do dinheiro e as relações incestuosas entre os vários agentes.
Diz o Robert Kiyosaki que, se você não pode provar que algo é um fato, então é apenas e unicamente uma opinião. Os agentes policiais que estão a investigar a gigantesca trama criminosa montada no Palácio do Planalto não têm emitido nenhuma opinião sobre se A fez ou não fez aquilo, ou sobre se B e A se relacionavam ou nem sequer se conheciam; os agentes da polícia têm provado tudo isso sem a possibilidade de margem a contestações. Assim, os fatos abundam, ao passo que as opiniões também.
E por que abundam as opiniões na presença de tantos fatos? Ora, a resposta é simples – na presença do incontestável somente é possível a opinião! Parece ser isso uma escandalosa contradição, mas não é e simples é a explicação: cada fato é único, ao passo que as opiniões abundam, como já dissemos. Esse exagero numérico das opiniões tem um destino bem conhecido – bagunçar a ordem ou a tentativa de a impor. Vê-se que as opiniões diante de um fato estão justamente a tentar piorar as coisas para ele – pior para o fato!  
Engana-se quem julga que uma opinião é algo destituído de maldade, ou de inocência, ou de pureza. Atentem que não estou afirmando que toda opinião é má, ou malvada, ou mal-intencionada, dirigida a propósitos torpes. Mas há opiniões nitidamente dirigidas a propósitos pouco nobres. No caso das opiniões em torno dos atos suspeitos do governo brasileiro, e emitidas por milhares de seus apoiadores e operadores, elas servem a vários e abjetos propósitos. Para boa coisa é que não seria.