segunda-feira, 29 de abril de 2013

DESNECESSÁRIA E INOPORTUNA GABAÇÃO


          Observem o nível de alguns repórteres de nossos diários, a maioria, diga-se de passagem. Escreveu em sua coluna o jornalista Alan Neto, do jornal O Povo: "....e Cid Gomes, hein? Cinqüentão com cara de 30. Sem nenhum cabelo branco. Sem qualquer ruga". (http://www.opovo.com.br/app/colunas/alanneto/2013/04/27/noticiasalanneto,3046906/tolerancia-zero.shtml)
          Será esse Alan Neto mais um baba-ovo do jornalismo local? Ao que me consta, o homem é jornalista há trocentos anos. Eu era menino – sou contemporâneo do Governador – e esse senhor já escrevia suas besteiras. Ele deve estar beirando os 70 e não se envergonha de puxar o saco dos grandes do poder. Faria maior serviço a seu Estado e ao sério jornalismo se se desse o trabalho de questionar o governo e seu premier sobre os descalabros da segurança pública, ao invés de perder tempo e precioso espaço no jornal com essas frescuras de maricas.
          É bem possível que o senhor Alan Neto não esteja, de fato, paparicando El Cid. Até porque a ninguém gera mérito nenhum ter ou não ter cãs ou rugas. Elogios dessa natureza são freqüentemente reservados e dirigidos a quem é carente de méritos. Quando não se acham predicados com os quais se possa qualificar um ser humano alvo de algum interesse, recorre-se ao panegírico raso e superficial. O encômio dessa natureza é tão bem-vindo quanto mais leviano for seu destinatário. Assim, não somente o autor posa de imbecil ao emitir opiniões desse tipo como também fica completamente exposto o desmerecimento de seu objeto.
          Tudo faz muito sentido, uma vez que o governo do Estado carece de há muito de sinceros elogios e deferências, e a pessoa do Governador, em que pese o merecimento das praxes inerentes ao cargo – que poderíamos taxar de "bônus imanentes" da função –, não pode escapar aos respingos da lambança em que se meteu ao não fazer o que deveria. Não podemos esquecer que o projeto "ronda do quarteirão" foi idealizado e concebido na cabeça de El Cid, baseado em estudos ou dados científicos dos quais ninguém sabe nem ouviu falar. O que se bem conhece é seu resultado: - criminalidade em alta permanente e à custa de incontáveis vidas humanas. É o “achismo” do senhor Governador a prevalecer sobre tudo e sobre todos.
          Continuemos que a "peça" do jornalista não fica por aí. Escreveu ele ainda mais sobre o Governador. Disse: "O poder pra ele tem efeito afrodisíaco e de elixir da eterna juventude" (sic).
          Sempre duvido de meus conhecimentos sobre determinado verbete da língua madre quando o encontro usado em situação esdrúxula, como o "afrodisíaco" que o senhor Alan Neto utilizou no contexto de seu comentário. Por isso fui correndo ao pai dos burros a fim de revisar seus significados. Encontrei o seguinte: "afrodisíaco - que conserva a força ou a aptidão de gerar, ou a excita; substância ou produto que estimula o desejo sexual".
          O senhor comentarista parece ter realizado uma descoberta cientifica das mais fantásticas da atualidade. Imaginem os leitores que o tocoferol acaba de ser desbancado de sua posição de antioxidante mais poderoso até então. E também o licopeno, o resveratrol, a cianocobalamina, o ácido ascórbico, o calciferol e tantas outras substâncias perderam o posto de poderosos antioxidantes para o “poder”. O “poder” entrou na lista dos elementos que mais previnem ou procrastinam o envelhecimento. Sim, porque não sei se sabem, mas o envelhecimento tem tudo a ver com oxidação e dano celular. O “poder” é, ao que ficou evidente, o mais forte antioxidante do momento. Vai ver é por isso que há uma corrida de ratos para alcançá-lo ou obtê-lo, como diria o Robert Kiyosaki. E, de fato, basta que se observem atentamente as fuças dos homens e mulheres mais poderosos do país, e porque não dizer do mundo, e se lhes veja lá estampados seus efeitos milagrosos.
           O diabo é que o articulista mal terminou sua blasonaria. Poderia ter parado por aí, mas resolveu delongar-se. E em se delongando acabou por intrometer-se na vida íntima da autoridade máxima do Estado, pressupondo até seu comportamento sob os lençóis. Tal intromissão e suposição geram, mais uma vez e no mesmo comentário, uma situação vexatória para o Governador. Ao que parece, a fanfarrice do senhor Alan Neto passou do limite. Tentando e tentado a afagar o homem, caiu na armadilha de dar panos pras mangas a gerar pilhérias e folguedos contra a pessoa do Governador. Os “bônus imanentes” de uma autoridade não incluem tais ilações, ainda que a intenção seja agradar. Fosse eu o Chefe do Executivo enviar-lhe-ia emissários com a expressa missão de dar-lhe uns bons e merecidos puxões de orelha. Ou bater-lhe-ia o telefone com a mesma finalidade, para que não saiam a dizer por aí que estou a pregar a violência física contra a imprensa e a liberdade de expressão por parte do poder constituído.
          Enfim, e para não esticar a baladeira sobre o breve comentário desse incauto jornalista – o mesmo não chega a quatro linhas -, encerro dizendo que sua longevidade e experiência na função desautorizam-lhe tamanha bisonharia. Como diria o saudoso Professor Eduardo Régis Monte Jucá, olhando para o chão e visivelmente contrariado: -“Que vergonha!...”