quarta-feira, 3 de abril de 2013

Sobre bósons e distúrbios androgênicos


          Essa história de correio eletrônico, uma engenhoca da pós-modernidade, nos prega surpresas às vezes agradáveis, às vezes nem tanto. As mais desagradáveis recebemos a todo momento: são as infinitas propagandas de empresas, lojas, agências de viagens, hotéis, etc. etc. etc. Eu disse surpresas e corrijo: não há mais nenhuma surpresa. O envio diuturno desse lixo para nossa caixa de correio é tão certo como a morte e os impostos. Oxalá em breve consiga eu encontrar uma maneira de evitá-los.
         Já as agradáveis surpresas sempre serão bem-vindas e desejadas, ainda que sua freqüência seja inferior ao que anelamos. Por exemplo, recebi há dois dias, e confesso só ter visto hoje, uma correspondência de meu amado amigo e irmão Antonio Torres Braga. Longe de trazer qualquer notícia dando conta de algum infortúnio alheio, trazia ele uma bela mensagem de exortação. Queria – e de fato, ainda quer – um encontro urgente com os amigos. Disse ele: “queridos, está na hora de um novo encontro; passamos juntos a infância, a adolescência, a fase adulta e, agora na andropausa, fugir desta familiaridade NÃO é possível”. Observem a letra maiúscula a enfatizar a impossibilidade de um eventual não-encontro. Entendi-lhe o recado: ele não aceita um não como resposta. E querem saber? Nem eu.
          Tempos atrás fiz o mesmo. Admoestei uma amiga por seu descompromisso com o importante, com o vital (http://fecavalcanti.facilblog.com/Primeiro-blog-b1/Por-favor-nao-diga-nao-b1-p159.htm). De outra feita revelei o efeito inolvidável do passado naqueles que tiveram a felicidade de viver um bom passado, como eu (http://fecavalcanti.facilblog.com/Primeiro-blog-b1/Lembrancas-e-desejo-b1-p168.htm). Assim, por duas vezes bradei aos quatro cantos do mundo e aos amigos que se afastavam, exortando-os a fugir das forças centrífugas da vida.
          Os cientistas da cosmologia buscaram por longo tempo entender como o Universo se formou após o tal do big-bang. O problema para eles era explicar o ajuntamento da matéria em galáxias, estrelas e planetas ante a força tão poderosa e centrífuga daquela explosão monumental. Que fizeram? Todos sabem como são os cientistas: - ante um imbróglio teórico arrumam outra teoria para explicar o que não coube na anterior. Foi assim que o Peter Higgs, lá pelos idos de 1964, aventou a existência de uma partícula que funcionaria como um freio a essa estrondosa expansão. Não fosse ela – o bóson de Higgs – e a matéria do Universo não teria se ajuntado para formar todo esse colosso. 
          Pois assim também nós, os amigos-irmãos foco da exortação de meu Torres, devemos urgentemente criar, inventar, acionar e pôr para funcionar o nosso "bóson de Higgs". Em outras palavras, precisamos acionar a força centrípeta que há de nos trazer de volta uns aos outros, sob pena de sermos lançados a uma distância tão grande uns dos outros que teremos preguiça só de pensar em voltar. 
          O meu Torres só se equivocou numa coisa, devo dizer, e que ele não se amue comigo pela impertinência. Disse ele que estamos na andropausa! Vejam só!: "...agora na andropausa etc. etc. etc." Segundo meu querido amigo Ariel Scafuri, uro-andrologista de primeira linha, nascido argentino, paulistanamente criado e fortalezensemente fixado, não existe a andropausa. Diferentemente das mulheres, estas sim, todas afetadas pela menopausa, os homens não somos unanimemente afetados por quedas críticas em nossas taxas hormonais. Perece que pouco mais de 30% dos machos da espécie humana acima de sessenta anos são afetados por tal distúrbio. 
          Corrigindo o querido amigo, e lembrando que estamos longe da idade de risco do Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM), não é porque estamos entrados em anos que devemos promover mais um de nossos encontros. Devemos envidar todos os esforços para mais um clube do bolinha tendo em vista, repito, os sérios riscos que nos impõem as forças centrífugas da vida. Essas, sim, são poderosíssimas, ainda que insidiosas e justamente por isso. Não nos deixemos por elas enganar. Mais: - e não esqueçamos de convocar outras "pratas da casa", como o Ricardo Dodt e o feérico Brasinha, vulgo Paulo Brasil, o homem mais perigoso que conheço. 
           Apoiemos aqueles que prematuramente estão a padecer da humilhação que sentem por seus encanecidos e escassos cabelos, como os amados Fábio de Oliveira Motta e Sérgio Moura. Joelhos podres são uma constante mesmo entre os mais ativos e jovens atletas, de formas que nada disso deve permitir abatimento do espírito e da auto-estima. Queremos o time completo. Nem que seja para um racha com uma bola de meia, na falta da dente-de-leite, já que não mais se fabricam as bolas Pelé. Tenho dito.