segunda-feira, 19 de setembro de 2011

TEOREMA DO POSCONCEITO


... e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (João,8:32)

Estive a utilizar recentemente em descontraídas conversas o neologismo posconceito (ou pós-conceito). Não sei se fui o primeiro. Por várias vezes estive a usá-lo e, não sei se meus interlocutores perceberam, ele não consta nos dicionários.   
Creio que, com as novas regras da língua portuguesa, a escrita correta seria a segunda, mas me agrada a primeira por ser um “antônimo de simetria” com a palavra preconceito.  
            Conceito, segundo o Aurélio, seria o que se concebe sobre algo ou alguém no pensamento, na idéia; seria um modo de pensar sobre algo; seria uma noção, uma idéia, uma concepção. Seria ainda uma opinião.
            Diz ainda o Aurélio sobre preconceito: opinião ou idéia preconcebida sobre algo ou alguém, sem conhecimento ou reflexão; prejulgamento.
            Assim, vê-se facilmente que tanto o conceito quanto o preconceito são frutos de uma avaliação própria, individual, baseada em crenças, opiniões ou noções pessoais sobre algo ou alguém. Não há aqui referência à profundidade do conhecimento que o indivíduo possui sobre o objeto em questão, presumindo-se que é possível que não se tenha nenhum conhecimento sobre determinado assunto e ainda assim se elabore uma opinião a seu respeito.
            Diz o Robert Kiyosaki que, se você não pode provar que algo é um fato, então é uma opinião. Dado o número de seres humanos que têm opiniões sobre os mais diversos assuntos, temos que abundam os conceitos e, principalmente, os preconceitos. Conhecimento abalizado sobre alguma coisa ou alguém é algo bem mais raro. Foi então que me veio a noção do que seria um posconceito (firamos a nova grafia a fim de que os “antônimos simétricos” se assemelhem).
            O que seria um posconceito? Visto que o conceito parte de uma idéia no pensamento, ele pode gerar conhecimento na medida em que o ser busca prová-lo como verdade a fim de incluí-lo no cabedal de seus conhecimentos.
Concebeu-se a idéia do Big Bang a partir da observação da mudança do espectro de luz para o vermelho das galáxias distantes, uma luz de comprimento de onda mais longo. Hubble pensou que essa mudança se dava pelo afastamento das galáxias do observador e entre si e que, portanto, o universo estaria em expansão. Se o universo está em expansão – conceberam os cientistas – ele deve ter sido, no passado, um ponto minúsculo que explodiu numa hecatombe criadora. Este é um exemplo de uma idéia, de um conceito que se tenta provar como fato a fim de que deixe de ser uma opinião.
            (Devo alertar que, em contraposição à explicação da mudança do espectro da luz para o vermelho que leva à noção de universo em expansão, há a explicação da teoria da luz cansada. Como a luz é uma onda, e onda é energia em propagação, a luz perderia energia ao percorrer as colossais distâncias do universo e seu comprimento de onda tornar-se-ia maior. Quanto maior o comprimento de onda, menor a energia da onda. Se essa teoria se mostrar factível, o universo não estaria em expansão e estaríamos vivendo em um universo estático.)
            Então, o que diferencia o preconceito do posconceito é o grau de conhecimento sobre a realidade dos fatos. Um é uma opinião; o outro, um fato demonstrável. Assim é que um conceito pode ou não levar a um conhecimento abalizado. Um conceito pode vir a se tornar a origem de uma teoria científica ou permanecer somente uma hipótese, se não se buscar a inteireza de sua veracidade, um preconceito. Quando o conceito evolui de idéia, de noção, de pensamento para fato ele torna-se um posconceito. Eis aí tudo.
            O que ocorre com desmedida freqüência é o taxar de preconceito o que na realidade já se tornou posconceito. Conclui-se facilmente que muitos conceitos que estão em vias de se tornar sólidos posconceitos são, eles próprios, vítimas de atrozes e ferrenhos preconceitos. O exemplo é a teoria da luz cansada, vítima de preconceito pela comunidade científica positivista interessada em tornar o Criador uma impossibilidade definitiva. Por isso seguem a “pregar” a teoria do Big Bang como a verdade absoluta do surgimento de tudo quando ela está bem longe de tal façanha, segundo as próprias evidências que se acumulam.
            Vejam que até nos mais sérios meios científicos tenta-se manter os homens ignorantes gerando preconceitos que só contribuem para a manutenção da medievalidade em plena modernidade.