terça-feira, 3 de setembro de 2013

Os falsos petistas


               Vejam que vivemos à época da mentira. Nunca se mentiu tanto. E falo da mentira coletiva, da mentira que alucina, que coopta, que seduz. 
               Antes de continuar falemos um pouco da espionagem. Os espiões norte-americanos, descobriu-se pela boca de um alcagüete, estavam espionando o governo brasileiro. Dilma despachou seu ministro da justiça para a América a fim de tomar satisfações com os ianques. Eles praticamente o enxotaram de lá. O governo brasileiro queria "explicações" e "entrar em acordo" com o governo estadunidense. Ora, o governo brasileiro é pano de chão até dos bolivianos, do tal do Evo Morales! O Evo Morales fez e desfez, faz e desfaz, e o governo brasileiro, para a mais completa vergonha dos brasileiros de bem, se dobra de joelhos a esse picareta boliviano. Imaginem o que a nação mais poderosa do planeta iria fazer com o Cardozo, o ministro da justiça brasileiro. Não poderia fazer outra coisa. O Obama nem deu as caras. Agora, depois do muxoxo brasileiro, Dilma "ameaça" cancelar a viagem que faria aos Estados Unidos. Obama está há uma semana sem dormir.
               Mas o que eu queria dizer é que deu-me uma vontade incoercível de bater o telefone pro Obama. Quero até crer que o homem me atendesse. Afinal, diferente desses canalhas que governam o Brasil, sou um cidadão honesto, pagador recalcitrante, mas fiel, dos impostos que me são cobrados, das multas de trânsito que me chegam, e cumpridor das leis de meu país. Não vivo de regalias nem faço uso de benesses ou do tráfico de influência que ainda muito está em uso por aqueles que querem posicionar os que não têm mérito n'algum posto de seu interesse. Tudo o que consegui na vida foi através de esforço e méritos pessoais, como milhões de outros brasileiros de valor. Assim, Obama bem seria capaz de me dar uns minutinhos de seu precioso tempo. Ao representante do governo brasileiro, nada. Por tudo o que Obama sabe hoje. 
               (Não sei se se lembram quando Obama encontrou o Lula num evento onde se reuniram vários Chefes de Estado. Obama ficava apontando pro Lula e dizendo: -"Esse é 'o cara'"! Lembram? Os apaixonados pelo pau d'água tinham orgasmos ideológicos e políticos com a brincadeira do Obama. São todos antiamericanos, mas a brincadeira do Obama era como um aval de peso ao nosso Chefe. Eu, de minha parte, dizia: -"O Obama está é debochando do pinguço, seus idiotas"! E ninguém me dava ouvidos.) 
               E o que eu diria pro Obama ao telefone?, é o que muitos de meus parcos e escassos leitores estão a se perguntar. Bem, em primeiro lugar lhe faria um pedido. Pediria, encarecidamemte, que ele autorizasse a um de seus espiões a passar ao povo brasileiro todas as informações que eles obtiveram com sua espionagem. Deve haver uma penca de informações bem cabeludas nas conversas entre nossos políticos da alta cúpula. É bem provável que a república viesse abaixo. E, se não viesse, faria o segundo pedido. Que os gringos, eles, nos invadissem. 
               (O meu amado amigo Raimundo Araújo, um mineirinho das bandas dos Montes Claros e simpatizante voraz do petismo, e que conheci ao tempo em que morava no Rio de Janeiro, vivia a implorar pela invasão norte-americana, que ele chamava de "centuriões". Dizia, berrando aos quatro cantos: -"Venham os centuriões"! Achava que, com eles a nos ocupar, estaríamos salvos de nós mesmos.)
               O intróito que fiz se destina a relatar recente episódio do qual fui vítima. O meu amigo Paulo Prado lamentou minha assunção de ser de "direita". Melhor dizendo, ele pensa que sou de "direita". E por que pensa ele isso? Porque manifestei meu horror pelo governo petista e por tudo que se diz "de esquerda" no Brasil. Disse que eu era um reacionário. Que fiz eu após essa tão deliciosa acusação? Assumi. Sou um reacionário, como o Nelson Rodrigues, de quem sou fã incondicional. Sabem o que fez o Paulinho Prado quando me assumi reacionário? Ofereceu-me a ler o "Mein Kampf" do Hitler, já sugerindo que eu deleitar-me-ia com a "obra" de um dos maiores assassinos que a humanidade já produziu. (Adolf Hitler perde, em assassinatos, apenas para Josef Stalin, este, provavelmente, muito ao gosto de meu amigo "de esquerda".) Em suma, o meu amigo me taxou de simpatizante do genocídio, do anti-semitismo e do racismo. Vai ver ele até tem certeza de que eu, como médico, injeto fezes nas veias dos doentes que julgo merecedores de um fim cruel por se enquadrarem em meus critérios fóbicos. Eu seria um Mengele cabeça-chata, um "anjo da morte" do sertão. 
               Mas vejam que o pior não está aí. O pior é o que os fatos demonstram no dia-a-dia. O Paulinho Prado, por exemplo, um exemplo dentre tantos outros que vivem e pensam como ele. Pensam como a "esquerda" e agem e vivem como a "direita". Deleitam-se nos prazeres proporcionados pelo que o modo de vida da "direita" permite e proporciona, mas discursam o falso-belo discurso da "esquerda". Inúmeras vezes sugeri aos amigos que simpatizam com essa corja: -"Vão viver em Cuba"! Nenhum desses ilustres senhores se dignou. Preferem ganhar dinheiro e surfar nas benesses capitalistas. Preferem explorar seus empregados ou não lhes pagar a diferença da mais-valia. Agem "capitalistamente" em seu dia-a-dia. (Não sei se o Paulo Prado paga a diferença da mais-valia a seus funcionários, mas ficaria sinceramente feliz em saber que o faz.)
               O que eu queria dizer é que a grande mentira brasileira, a grande lorota de nosso momento, não é o petismo. Não existe o petismo, eis a grande verdade. O que existe é uma horda de falsos petistas, de falsos "esquerdistas"; de falsos cidadãos preocupados com a pobreza, com a miséria, com as crueldades que se praticam contra o povo humilde deste vasto rincão. Essa súcia está aí há onze anos a maquiar resultados financeiros, a maquiar índices, a maquiar projetos que não se erguem um micra acima do papel e a vender a idéia do petismo salvador. A mentira grassa solta e o que se vê, na dura realidade da vida brasileira, é a baixa intelectualidade e educação de péssima qualidade, a saúde agonizando, a infra-estrutura de país africano, a dívida pública na estratosfera, e a segurança pública e a impunidade em insuportável alta. E – pior! – a sensação de insegurança na vida civil. Os falsos petistas estão para mostrar já, já a que vieram.