quinta-feira, 24 de abril de 2014

Um comunista que ama

          Inaugurou-se no país a era da desavergonhada e descarada manipulação dos institutos de pesquisa. Dois alvos já se tornaram conhecidos: - o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Dessa forma, doravante os dados sobre taxa de desemprego, renda per capita, crescimento econômico, habitação, inflação e outros importantíssimos dados utilizados no planejamento e tomada de decisões com a intenção de melhorar a vida dos brasileiros são manuseados a bem dos interesses escusos e projeto de poder de seus manipuladores. É mais uma intervenção do Partido dos Trabalhadores (PT), através do governo que ocupa, no intuito de esconder a tragédia que é o seu governo e, mais ainda, divulgar falsos dados com propósitos eleitoreiros. A nuvem do obscurantismo se enegrece ainda mais, prenunciando a procela. À pesada propaganda mentirosa dos feitos do governo alia-se, agora, a adulteração ou omissão dos dados sobre a real situação do país. 
          Outro dia, há duas semanas, bati o telefone para o meu amigo Danúzio Carneiro a fim de agradecer-lhe imensamente o favor que me prestou. Brincando, disse-lhe: -“Você tem um único defeito: - é comunista”! Ele riu-se, mas fez questão de ressalvar: -“Sim, mas sou um comunista que ama. Não sou comunista do tipo que trucida e come criancinhas... Sou um comunista do bem". 
          Se analisarmos o que disse o meu amigo, colheremos algumas assustadoras conclusões. Em primeiro lugar, o "comunista" assume que os comunistas não têm amor, não nutrem amor pelo ser humano. Depois, em segundo lugar, os comunistas odeiam tanto que até comem crianças de colo. Observem que não amar não significa necessariamente odiar. Pode-se não amar sem odiar. O comunista, no dizer de meu amigo, não só não ama como também odeia. Por último, assegurou o meu amigo: - é um homem de bem que, sem querer, como num ato falho, revelou o verdadeiro caráter da ideologia que tanto aprecia. 
          Não sei se souberam das palavras da senhora Marilena Chauí. Em alto e bom som declarou publicamente, outro dia, em conluio com outros comunistas de peso: -“Odeio a classe média”! O “Barba”, codinome do senhor Luis Inácio Lula da Silva ao tempo em que funcionava de informante do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) durante o regime militar, riu-se às gargalhadas da confissão de ódio da senhora Chauí, como que a concordar, a se acumpliciar com ela em seu sentimento.
          (A tragicomédia petista onde foi feita a declaração de ódio seguida das cúmplices gargalhadas foi filmada e gravada e está disponível na rede mundial de computadores. A história do “Barba” está relatada em seus mínimos e sórdidos detalhes nos primeiros capítulos do livro “Assassinato de Reputações – um crime de Estado”, de autoria do senhor Romeu Tuma Júnior.)
          Esta declaração de ódio da senhora Marilena Chauí, suspeito, foi incompleta e de modo algum expôs todo o seu pensamento e sentimentos. Ela concentrou, desconfio, todo o seu canhoneiro na classe média porque ela é, ela própria, um membro da referida classe. Vê-se que esta senhora é um caso psiquiátrico/psicológico semelhante a tantos outros. Darei um exemplo através de um breve relato sobre o que sucedeu a uma amiga.
          Ela tomou conhecimento da homossexualidade de seu então ex-marido passados quase cinco anos da separação do casal. Tão logo soube e comprovou o fato, saiu a lembrar-se de episódios ocorridos que então começaram a fazer sentido: - quando era seu marido, o homem era um homofóbico de carteirinha e sindicato, desses que seriam capazes de fazer apologia ao extermínio dos homossexuais pelo simples fato de serem homossexuais. Às escondidas, por detrás de seu círculo de amizades e de seus familiares, permitia-se dar vazão às suas preferências sexuais e levava como que uma vida dupla. O ex-marido de minha amiga nutria o mais profundo ódio pelo que ele próprio era: - um homossexual.
          Por analogia, é fácil concluir que a socióloga e filósofa Marilena Chauí odeia aquilo que ela própria é: - uma senhora de classe média. E ainda mais. Odeia a classe média como odeia os pobres e os ricos. A verdade é uma só: - ela odeia o ser humano, desde as criancinhas aos idosos e passando por ela própria. Para ela, ninguém é merecedor de amor e é bem possível que não exista tal sentimento. A destilação de seu ódio por um determinado estrato do povo, definido apenas por uma faixa de renda e padrão de consumo, é mera casualidade. 
          A galhofa e o escárnio da senhora Chauí para com a classe média são uma espécie de marketing contra aqueles que pagam impostos, trabalham duro e lutam para viver em paz num país de políticos safados e oportunistas eleitos por uma maioria ignara e autoflagelada que se vendeu barato. Ela e seus comparsas não dão a mínima para essa maioria. Essa arraia miúda é, para esses tubarões, apenas um meio. Falar mal da classe média ajuda a pregar, no coração do povaléu, o ódio por quem constrói, por quem anela o funcionamento pleno das instituições, por quem ama a lei, por quem é a favor do mérito, por quem quer uma justiça ágil e dura, enfim, por quem deseja ardentemente viver num país de verdade. Em suma, o que a senhora Marilena Chauí prega é exatamente aquilo que sente: - o infinito ódio.
          O meu amigo Danúzio esforçou-se por me asseverar, repito, que é um homem de bem. Desnecessário, já que disso não tenho a menor sombra de dúvida. Tudo isso prova que o meu amigo nutre um genuíno e até ingênuo desejo por uma sociedade justa e harmônica. Por isso se julga "comunista". Assim, ele não passa de mais um falso comunista a pulular pela vida sem ter com quem do bem se apegar. É um solitário sonhador que julga que os meios não justificam os fins, mas é aos que pensam o oposto que ele ouve e admira(http://umhomemdescarrado.blogspot.com.br/2013/09/os-falsos-petistas.html). Esses senhores e senhoras que tanto odeiam o ser humano estão absolutamente dispostos a utilizar-se de quaisquer meios a fim de lograr seus objetivos. Para eles não há o bem ou o mal. E que não me venham taxar de maniqueísta. 
          Seja como for, tudo isso ficou implícito na última frase proferida por meu amigo em nossa conversa. Se ele é um "comunista" do bem, então os outros são os do mal, quero crer. (Meu amigo admite os conceitos de "bem" e de "mal". Só em fazê-lo prova ser um comunista falsificado, adulterado, de meia tigela: - um comunista entre aspas.) O diabo é que, como ele, muitos e muitos e muitos falsos comunistas existem neste vasto rincão. No geral são pessoas sensíveis e amorosas, justamente como Danúzio. Difícil é remover deles o ressentimento pelo que eles entendem ser de "direita" quando, de fato, nunca por aqui houve tal coisa. (O que sempre houve foi a exploração, e isso é bem diferente.)
          Assim, aos amigos recomendo doravante classificar os comunistas que vêem ou que conhecem em simulados ou legítimos. Os primeiros amam; os outros odeiam e vociferam. Fiquemos bem longe desses últimos.