terça-feira, 17 de abril de 2012

Um poste para prefeito... e salve-se quem puder!


Observem que qualquer coisa que hoje digam os jornais está sujeita a desmentidos ao dia seguinte. Por exemplo: disseram ontem que o doutor Lúcio Alcântara caiu com sua bicicleta dentro do buraco ou devido a um buraco na Avenida Beira-Mar. Hoje dizem que não houve buraco – ele caiu da bicicleta porque a pista estaria escorregadia devido às chuvas. E asseguram – a informação é fiel porquanto seu autor é a própria vítima. Em que pese a possível suposição de que buracos em ruas e avenidas nenhum mal fazem, hoje o jornal vem à carga com matéria dando conta de buracos, bocas de lobo, desgaste de galerias, deformidades do asfalto e acúmulo de água em poças na avenida mais charmosa da cidade. Conclusão: os culpados são as chuvas que não param de cair e os ciclistas incautos que deveriam deixar suas bicicletas em casa.
            Ainda sobre as matérias sobre as quais comentei ontem, certo jornalista entendeu que a “Opinião” do senador Inácio Arruda exprime uma crítica aberta à gestão da prefeita Luizianne Lins. Eu jurava que seu discurso era típico de palanque de candidato. Enfim, é possível que seja ambas as coisas. Afinal, ninguém concorre a cargo eletivo elogiando o trabalho do último gestor. Veja-se o que se está a chamar de “desmonte” do Centro Cultural Dragão do Mar, obra do falecido prefeito Juraci Magalhães. Não só não se elogia como ainda deixa-se às favas o que o opositor realizou. É fato comum e notório na crônica política brasileira com exceção dos “Bolsas”, que essa é uma “obra” fadada a encher as urnas de votos e, portanto, reproduzível e ampliável como se bem sabe.  
Na edição de hoje, a matéria que mostra a prefeita inaugurando uma escola que já funciona desde há quase quatro anos enfatiza o que ela mesma diz sobre inaugurar escolas em ano de eleição, e antes que se apaguem as luzes: -“Acho que é minha obrigação concluir o mandato dizendo o que foi feito, porque se eu não inaugurar ninguém vai saber que existe.” Ou seja, se Sua Excelência não inaugura o equipamento, ninguém, nem os 600 alunos e suas famílias nem o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), viria um dia a saber de sua existência, apesar dos R$ 2 milhões investidos na obra. É o caso até de se procurar saber o que os alunos foram lá fazer nesses quase quatro anos em que ela (não) existia. Bom mesmo seria que, em não existindo a escola posto que não inaugurada, o TCM pudesse reaver o montante liberado para sua construção, ainda que esteja lá tudo bem construidinho e bonitinho como toda obra pública recém (não)inaugurada.
Disse mais a prefeita em seu discurso de inauguração da Escola Professora Maria José Macário Coelho: -“Ela funciona de fato, porque a gente não precisa fazer obra pra se aparecer, ou pra aparecer na imprensa; a gente tem que fazer obra é pra comunidade (sic).” Que será que Sua Excelência quis dizer com isso? Talvez quisesse ratificar que ela já funciona há tempos, sim, mas que não precisaria ser inaugurada, já que se fazem obras para servir às necessidades da comunidade e não para serem expostas ao povo e à imprensa como feitos de governo. Ora, se não precisaria de inauguração, por que a inaugurou e justo em ano de eleição? Por que promoveu o evento e lá chamou a imprensa? Ou não chamou e a imprensa foi lá de enxerida? Bem se vê que políticos têm gogó de girafa e língua de tamanduá, e são experts em falar sempre o oposto do que querem dizer. A frase correta e honesta seria: “a escola já funciona de fato, mas nós a inauguramos hoje, e chamamos vocês aqui para divulgar, porque precisamos que o povo veja as obras que meu governo está fazendo a fim de que tenhamos mais chance de eleger nosso candidato na próxima eleição que se avizinha, ainda que não prometamos que continuaremos mantendo o equipamento em perfeitas condições e seus professores bem pagos em seus planos de cargos e carreiras”. Eis aí a verdade irretocável. E se assim se pronunciasse garanto que muitos votariam no poste que ela indicará à sua sucessão. (Lembram-se que ela garantiu, com sua popularidade às alturas, que elegeria até um poste para seu sucessor?)
E – acreditam? – continua a se ampliar a indústria do assalto a banco e do assassinato. Sabem o que disse o tenente-coronel comandante da polícia militar do estado do Ceará, referindo-se ao assalto de ontem? Eis a pérola: -“A população pode ficar tranqüila, isso eu posso garantir. Nessas próximas horas tudo será desarticulado.” Após um assalto a banco a cada 3,7 dias neste ano – 29 assaltos entre 01 de janeiro e 17 de abril de 2012 –, fiquemos tranqüilos. Está tudo sob controle. O próximo será, pelo intervalo verificado, entre sexta e sábado próximos. Onde será é o que me pergunto. Ou será que o graduado oficial quis dizer, como fazem os políticos quando dizem o que não querem dizer dizendo, que o que será desarticulado é o sistema de segurança pública do estado? Se assim for, salve-se quem puder!