quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Proteger e servir - aí mente!

Faz alguns meses, acho que na segunda metade do ano passado, foi noticiado o assalto de que foram vítimas os policiais do ronda do quarteirão em bairro da periferia da Fortaleza “bela porcaria”.
            Ops, desculpem a franqueza, mas não há mais espaço para eufemismos e maquiagens com as palavras. Essa é a grande verdade sobre a Fortaleza Bela, este último termo sendo o usado como mote desta desastrosa administração petista para a capital do estado do Ceará. Ainda agora estou a ver no noticiário televisivo os novos e velhos transtornos causados por uma chuvinha de nada. Continua a chover. Olho lá fora e vejo o banho que está a alagar a cidade. Mas essa é outra história. Voltemos ao assalto aos policiais.
            Para que servem policiais? Ora, para policiar. No pai dos burros está escrito sobre policiar: tomar conta, zelar, vigiar. Em suma, policiar, no sentido da função da polícia, significa proteger o cidadão.
            Façamos um breve relato, a título de comparação. O trecho foi retirado do site http://www.joinlapd.com/motto.html e a tradução livre é minha.
            “Em 1955, um concurso foi anunciado na revista interna do Departamento de Polícia de Los Angeles. O desafio consistia em bolar um lema para a Academia de Polícia. Ele teria de ser algo que expressasse sucintamente os ideais com os quais os policiais da cidade estivessem comprometidos.
            A inscrição ganhadora, ‘Proteger e Servir’, foi a sugerida pelo policial Joseph S. Dorobek, e serviu como o lema da Academia até que, por ato da assembléia legislativa em 1963, ela tornou-s e o lema oficial de todo o Departamento de Polícia de Los Angeles. O lema continua até hoje escrito nas viaturas da polícia como um símbolo de compromisso ao dever.
            ‘Proteger e Servir’ tornou-se uma das mais reconhecíveis frases na força policial. Ao longo de quase 50 anos de uso, ela tem encarnado o espírito, a dedicação, e o profissionalismo dos policiais da polícia de Los Angeles.”
            Os nossos policiais assaltados ou estavam dormindo ou mostraram uma bisonharia abissal. Para proteger algo ou alguém há que se estar alerta e há que se seguirem regras e protocolos que servem à proteção de quem protege e, por conseguinte, de seus protegidos. Os homens da polícia não conseguiram proteger-se a si mesmos. Foram desmoralizados. É fácil concluir a mensagem fragorosa embutida no acontecimento fatídico: estamos completamente desprotegidos e a mercê dos bandidos. Outros pequenos e menos notáveis sintomas já haviam sido emitidos, e ainda continuam a ser, mas o assalto à viatura foi o tiro de misericórdia na confiança na polícia.
            Terminou um governo e começou outro que na verdade era o mesmo. O povo – nós - achou que estava ótimo. A atividade policial é uma responsabilidade do governo estadual. O mote da Fortaleza “Bela” criado pelo governo municipal também é uma propaganda enganosa, visto que a capital está em frangalhos. Pior: não se vislumbra um futuro minimamente mais alentador para ela. É verdade que não foi durante os últimos seis anos que ela ficou assim. Todos os governos anteriores têm sua parcela de culpa e responsabilidade, assim como nós, o povo. Mas nos últimos anos a coisa está pior e a inação do poder municipal ainda mais visível.
            Na esfera estadual poder-se-ia dizer o mesmo? Há quem diga que não, mas eu diria que sim. O problema com o cearense em geral e com o fortalezense em particular é que se têm acostumado e adequado tão piamente ao pouco que é feito que, ainda que se faça o mínimo, quase nada, acaba por pensar que se fez muito. Há ainda a flagrante propaganda enganosa na esfera estadual. Está estampada em nossa cara, debaixo de nossas fuças. É só dar uma olhada na foto em anexo. Uma única imagem vale mais que um milhão de palavras. E ainda plagiaram o lema do sério Departamento de Polícia de Los Angeles.
Os homens do ronda deviam estar dormindo mesmo. Que os Céus nos protejam.

Fernando Cavalcanti, 10.02.2011