terça-feira, 3 de junho de 2014

Leio VEJA; e daí?

          Tempos atrás o meu amigo Ciro Ciarlini, habilidoso e zeloso cirurgião cardiovascular desta cidade, me admoestou. Disse-me que deveria ler outras publicações, além de VEJA. A repreensão perdeu de imediato a razão de ser quando lhe garanti ser também leitor de outras revistas. Pelo sim, pelo não cancelei, após certo lapso de tempo, todas as assinaturas de semelhantes revistas, e tudo pela simples razão de uma mínima contenção de despesas. 
          O diabo é que o pessoal do departamento de vendas de VEJA se agradou de minha humilde pessoa e está a me enviar, há vários e vários meses, o semanário na tentativa de me fazer mudar de ideia e renovar a assinatura. Confesso não ter ainda me decidido, e é muito fácil compreender minhas razões: - ler de graça é melhor do que ler pagando. Assim, tenho recebido, com a competente regularidade da editora, os exemplares do semanário nacional. 
          Uma coisa é certa, e nela estaria certo o meu amigo Ciro em me "acusar": - sou um feroz simpatizante da revista VEJA e de seus colunistas. Tenho sentido saudades do Diogo Mainardi e de sua autêntica, inteligente e mordaz repulsa ao Barba, o senhor Lula da Silva, o maior canalha que o Brasil já conheceu. De resto, ele escrachava, nas páginas da revista e com tal elegância, toda a corja que se instalou em Brasília, asseclas deste nocivo e peçonhento personagem da política brasileira mais recente. Por sorte, e com alguma compensação, estão aí o excelente e também mordaz José Roberto Guzzo, o Rodrigo Constantino, o Reinaldo Azevedo e, aquisição mais recente, o João Luiz Woerdenbag Filho, o inteligente e destemido Lobão. A cereja e a flor do bolo, a escritora Lya Luft, comparece a cada quinze dias em artigos indignados e repletos da doçura e da mansidão próprias das mulheres de elevadíssima estirpe. 
         O amigo Ciro que me perdoe, mas esse pessoal aí tem coragem. Digam o que quiserem, mas nem de perto temem um empastelamento de sua redação. Os que se erguem para dizer que eles mentem, das duas uma: ou foram acometidos de cegueira, ou estão a engrossar o séquito de facínoras que aplaudem a súcia boquirrota e maldita. 
          Observe-se, por exemplo, a reportagem da última edição de VEJA (2376 Ano 47), assinada pelo jornalista Leonardo Coutinho e intitulada "A ILHA DO CARA", em que ele relata e descreve o nababesco paraíso onde mora e vive o ditador e sanguinário Fidel Castro, na ilha de Cayo Piedra, no mar caribenho do sul de Cuba. Como o acesso ao lugar é restrito aos familiares e íntimos amigos do senhor Castro – o Gabriel Garcia Marques era um deles e, dessa forma, pode muito bem ser classificado como um lustroso e vetusto canalha –, até então não haviam se confirmado as suspeitas que indicavam a existência de tão intrigante excrescência na experiência comunista mais bem sucedida de todos os tempos.
          A comprovação do que se suspeitava só foi possível porque um de seus ex-guarda-costas, Juan Reinaldo Sánchez, escreveu e publicou recentemente sua autobiografia intitulada "Os Segredos de Fidel", que chegará ao Brasil no final deste mês pela Editora Paralela. Embora a reportagem revele os principais trechos do nababesco estilo de vida deste cada vez mais decrépito mito, estou ansioso para lê-lo. Degustá-lo-ei não sorvendo uma dose de Chivas Regal, uísque predileto do ditador e cuja garrafa custa 45 dólares, "o dobro do salário mensal de um cubano comum", mas um vinho barato desses que se vendem por aqui mesmo. 
          Os simpatizantes de canalhices históricas e de estórias da carochinha dirão que o ex-segurança de Fidel está mentindo. A reportagem esclarece que "ele foi demitido depois que seu irmão fugiu de balsa para os Estados Unidos". E continua: "Para Fidel, era inadmissível ter ao seu lado alguém que não previu que dentro de sua família havia 'traidores da revolução'". O segurança foi preso por dois anos e conseguiu fugir do país em 2008 depois de passar 8 anos tentando a proeza. Agora, a outra verdade sobre Cuba vem à tona: - a riqueza e a vida de luxo que leva seu ditador, em flagrante e cruel contraste com os habitantes da ilha que sofrem o pão que o diabo amassou em seu dia-a-dia. 
          Na mesma edição o Rodrigo Constantino quer saber das esquerdas brasileiras como elas explicam que a violência tenha aumentado ao mesmo tempo que cresceu a renda dos brasileiros já que, para elas, é a pobreza a causa da criminalidade. Diz ele: "Para começo de conversa, foi no Nordeste que se verificou o maior crescimento da taxa de homicídios, justo na região que experimentou um dos maiores aumentos de riqueza, favorecida por agressivos programas assistencialistas do governo, que até celebrou o advento da 'nova classe média'". E constata, usando das estatísticas, o que eu já havia constatado há algum tempo sem me basear em nenhum número, em nenhuma estatística (http://umhomemdescarrado.blogspot.com.br/2013/10/o-cearense-hospitaleiro.html): - "O brasileiro é tido como um 'povo cordial', mas as estatísticas mostram algo bem diferente. Somos um dos povos mais violentos do mundo". 
          Após o semanário expor as peripécias do bandido que se elegeu deputado – é bandido porque cometeu crimes e esteve preso por conta deles –, demonstra na reportagem "ELE É AMIGO DOS AMIGOS" que o político, deputado estadual pelo PT Luiz Moura, ainda é dos bandidos mais nocivos que se possa imaginar. Foi surpreendido e pego em reunião onde só havia bandidos conhecidos, tramando para incendiar ônibus de empresas tradicionais na capital paulista. E mais. Para eleger-se deputado pelo PT, a reportagem denuncia que ele recebeu doações de petistas de peso como Aloizio Mercadante, Arlindo Chinaglia, João Paulo Cunha, José Genoíno e a louca desvairada Marta Suplicy, e os respectivos valores doados. Por aí se vê que como mente a revista VEJA...
          Depois de reportar o Collor tentando se explicar sem nada explicar sobre os R$ 50 mil que "apareceram" em sua conta bancária e cujos recibos de depósito foram encontrados no escritório do doleiro Alberto Youssef, a revista ainda se dá o trabalho de divulgar uma reportagem sobre os índios que, "patrocinados" pelo governo, "invadiram" a capital da República para protestar contra esse mesmo governo e encerrar com a magistral crônica do J. R. Guzzo em que ele faz, indignado, uma reflexão: "Como Lula, um cidadão que construiu toda a sua vida dizendo que é um trabalhador, pode tratar assim os trabalhadores – os mais necessitados de transporte coletivo de boa qualidade? Para o ex-presidente, isso é um luxo idiota de que o cidadão não precisa. 'Vão a pé, vão descalços, vão de jumento'", foi o que ele disse... 
          Eu, cá com meus botões e assistindo depois às entrevistas do Bolsonaro, concluo: - preciso, cada vez mais, ler VEJA. O Ciro que vá operar, com toda a sua competência, os padecentes e necessitados corações do povo vítima desses monstros da política irresponsável e destruidora de vidas e sonhos.