sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Uma mentira no futuro


            A mentira quando não indigna, nos faz rir.
            Foi o que me ocorreu ao ler a seguinte nota no jornal Diário do Nordeste, em que certo vereador petista afirma: “Nunca houve governo em Fortaleza em que as categorias de servidores conseguiram tantos avanços como o de Luizianne Lins.”
            Para a minha felicidade, o autor da coluna escreveu abaixo, após o nome do mentiroso, o seguinte: “Pouco antes de a prefeita determinar a demissão de 10 agentes da AMC que, apesar de estarem em estágio probatório, participaram da greve na autarquia; e esquecendo que nas gestões de Maria Luiza, Ciro Gomes, Juraci Magalhães e Antonio Cambraia servidor nenhum pegou fila no Sine por fazer greve. A decisão de Luizianne foi sustada pela Justiça.”
            Observem que não há lei humana que, violada, leve à punição do mentiroso; não há lei contra a mentira. Assim, mente-se impunemente, a torto e a direito, à luz do dia, do púlpito das câmaras e assembléias. E nos jornais.
            Outro dia, se não me engano na quarta de cinzas, certa articulista da coluna Opinião do jornal O Povo, após afirmar como verdade absoluta que os fins justificam os meios, escreveu que indiscutivelmente o governo Lula e o governo Dilma reposicionaram o ideal, por longo tempo julgado impossível de se lograr, de erradicar a fome e a miséria no país. Apesar do mensalão, do presidente que nada sabia, dos inúmeros escândalos e da corrupção grassante, que a articulista julga justificáveis em função dos fins, os referidos governos reposicionaram o ideal de justiça.
Que será que ela quis dizer com reposicionar? Entendo que seja colocar algo em nova posição, recolocar. No contexto seria priorizar a erradicação da fome e da miséria no país. O governo distribui renda e moradia, é certo. Diz que constrói escolas e que conseguiu ampliar o número de crianças matriculadas. Em seguidas avaliações ficou clara a péssima qualidade da educação ensinada nessas escolas. Paga-se mal ao professor, e a qualidade do profissional da educação é a pior possível. Conclusão: o investimento em educação é um “faz de conta”, um embuste. Mais um.  
As perguntas inevitáveis são: a médio e longo prazo, em que resultará distribuir renda e moradia a um povo que segue na ignorância? A equação se sustenta? O nível de renda dessas pessoas irá subir? Serão elas capazes de caminhar sozinhas, de obter um emprego bem remunerado, de montar negócios e empreender? Parece-me que não é a resposta a todas elas.
Se for assim, volto com outra pergunta: os governos Lula e Dilma reposicionaram, de fato, o ideal de erradicar a fome e a miséria do país? ou seu plano seria uma ardilosa trama, a maior de todas já engendradas contra o povo, para se manter no poder tanto tempo quanto seja possível?
Há a mentira cujo desmentir está ali no passado, à vista de todos, nas memórias da história e dos fatos facilmente comprováveis. E há aquela cuja verdade está apenas no futuro, ainda que todos os exercícios preditivos baseados em contundentes e atuais evidências lhe apontem o caráter. Quero viver para ver.