domingo, 19 de abril de 2015

FRANÇA X MÉXICO

Vocês viram França x México? As chuteiras tinham somente as travas regulamentares, notadamente no escrete mexicano. Ninguém dos jogadores mexicanos entrou de salto alto. E, engraçado, ninguém parecia receoso de se contundir. Vejam bem: não me refiro às condições técnicas de algum jogador em particular. Falo do time, do grupo; afinal, o futebol é um esporte grupal.
O que quero dizer é que o time – e também a França – jogou aberto, pleno, sem medo de perder, na raça. Aliás, até a Grécia, com aquele timezinho menos que medíocre, conseguiu, na raça, virar o jogo contra a Nigéria. Tudo obra da vontade, da garra, da força que se tira não se sabe de onde a superar todas as limitações técnicas e o histórico absolutamente desfavorável.
O locutor dizia que a França de hoje em nada lembrava o outrora campeão mundial, do qual o Brasil é freguês. Foi injusto o locutor – não honrou o mérito do time mexicano, que não se embolorou diante daquelas camisas azuis. A propósito, é preciso muita atenção ao que dizem os locutores, principalmente se forem empregados de emissoras de programação aberta. No todo suas impressões são, na melhor das hipóteses, um monte de conversa mole e firula. Pois eu bem queria ver jogar a França contra Kaká e companhia. Os canarinhos sentiriam o peso das camisas azuis? aquelas para as quais se venderam em ’98?
O México ensaiou um olé. O time correu a não mais poder, tinha raça, vontade, virilidade. Mesmo após cada um dos gols vinha para cima do adversário. Alguém dirá que futebol não é corre-corre, e de fato não é. Mas o corre-corre que demonstra vontade, gana, objetividade em relação ao gol deve ser elogiado. A copa do mundo não é o campeonato brasileiro que tem mil rodadas. Lá a parada é decidida em três jogos. Só há uma maneira de pensar: ganhar ou ganhar. E estamos conversados.
O engraçado é que já vimos isso várias vezes em várias seleções que o Brasil montou. Parece que, após o tri, o Brasil passou a se achar imbatível, exceção feita à vez que se vendeu. Naquela vez desceu ao nível mais baixo de sordidez e atitude anti-desportiva. Até hoje o time não entrou em campo para disputar a final com a França. E depois, de tão envergonhado, não conseguiu mais olhar os franceses nos olhos dentro de um campo de futebol. Acho até que, se houvesse uma guerra entre nós e eles, levaríamos baionetadas na bunda de tão inferiorizados que estamos até hoje. Eles não teriam coragem de atirar nos pobres diabos. Em suma, ainda estamos humilhados, e receio que tal humilhação não se dissipe jamais. Somos para eles o que o Peru é para a Argentina.
O México, que nunca havia ganhado da França, hoje mostrou que a vontade de superar o tabu e o próprio adversário é o que conta. Só tenho dó porque se a França não passar, tendo nós passado, não a enfrentaremos para que fique provado o que digo. Em contra-partida, se pegarmos o México... sei não!

Fernando Cavalcanti, 17.06.2010